Açúcar perde força nesta terça-feira (2) diante de perspectiva de oferta elevada
Os preços do açúcar operam em queda nesta terça-feira (2) nas principais bolsas internacionais, devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. Na véspera, o mercado seguia dividido entre os riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño e o aumento da oferta proveniente dos principais países produtores.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,28 cents por libra-peso na Bolsa de Nova Iorque, queda de 17 pontos. O vencimento outubro recuava 16 pontos, cotado a 14,78 cents por libra-peso.
Em Londres, os preços do açúcar branco também registravam perdas. O contrato agosto caía 850 pontos, para US$ 441,50 por tonelada, enquanto o outubro recuava 760 pontos, negociado a US$ 436,90 por tonelada.
Mercado realiza lucros após alta da véspera
Na segunda-feira (1º), as cotações avançaram impulsionadas pelas preocupações com a formação do El Niño e seus possíveis impactos sobre a produção mundial de açúcar. O mercado reagiu especialmente à redução da previsão de chuvas para a temporada de monções na Índia, segundo maior produtor global da commodity.
O clima continua no radar. A expectativa é de que o fenômeno possa reduzir o volume de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, afetando o potencial produtivo das próximas safras.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de persistência até o final do ano.
Produção brasileira segue limitando altas
Apesar do suporte climático, o avanço da safra brasileira continua exercendo pressão sobre os preços. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Além disso, a moagem de cana na região atingiu 60,46 milhões de toneladas no acumulado da safra até 1º de maio, avanço de 74,58% na comparação anual, reforçando a expectativa de ampla disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Outro fator que segue no radar é o desempenho das exportações da Tailândia. O segundo maior exportador mundial embarcou 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril de 2026, volume 29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, contribuindo para a percepção de oferta confortável no curto prazo.
Com isso, o mercado continua oscilando entre os riscos climáticos para a próxima safra e os sinais de forte produção e exportação observados atualmente nos principais países produtores.