Açúcar oscila entre bolsas e mercado segue atento à oferta global e aos riscos do El Niño
Os preços do açúcar apresentaram comportamento misto nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (3). Enquanto as cotações recuavam em Nova York, o mercado de Londres operava em alta. O cenário continua sendo influenciado pelo aumento da oferta global, mas os riscos climáticos relacionados ao El Niño seguem dando sustentação às cotações.
Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,34 cents por libra-peso em Nova York, queda de 4 pontos. O vencimento outubro recuava 7 pontos, cotado a 14,83 cents por libra-peso.
Em Londres, os preços do açúcar branco avançavam. O contrato agosto subia 160 pontos, negociado a US$ 447,40 por tonelada, enquanto o vencimento outubro registrava alta de 120 pontos, para US$ 441,10 por tonelada.
Oferta global continua pressionando o mercado
O principal fator de pressão sobre as cotações segue sendo a ampla disponibilidade de açúcar no mercado internacional.
Dados divulgados recentemente pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi favorecido pela melhora na qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Além do Brasil, a Tailândia também reforça o cenário de maior oferta global. As exportações do país entre janeiro e abril de 2026 somaram 1,6 milhão de toneladas, avanço de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Como segundo maior exportador mundial da commodity, o aumento dos embarques tailandeses contribui para a percepção de abastecimento confortável no curto prazo.
El Niño segue no radar dos investidores
Apesar da pressão exercida pela oferta, o mercado continua monitorando os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global de açúcar.
As preocupações aumentaram após o serviço meteorológico da Índia reduzir sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro. A estimativa passou de 92% para 90% da média histórica, elevando as incertezas sobre a safra do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além da Índia, os investidores acompanham os possíveis efeitos do fenômeno sobre Brasil e Tailândia, importantes fornecedores globais da commodity. A expectativa é que o El Niño possa reduzir os volumes de chuva em regiões produtoras estratégicas, comprometendo a produtividade das lavouras e limitando a oferta mundial nos próximos meses.
Dessa forma, o mercado segue dividido entre a perspectiva de ampla oferta no curto prazo e os riscos climáticos que podem afetar a produção global ao longo da safra.