Açúcar avança em Nova York com apoio do El Niño, mas oferta global limita ganhos do mercado

Publicado em 05/06/2026 08:47 e atualizado em 05/06/2026 09:28
Preocupações climáticas seguem sustentando as cotações, enquanto maior produção no Brasil, exportações da Tailândia e queda do petróleo impedem movimentos mais expressivos de alta

Os preços do açúcar operavam em alta na bolsa de Nova York  na manhã desta sexta-feira (5), sustentados pelas preocupações do mercado com os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção global da commodity. Em Londres, porém, as cotações registravam leves perdas.

Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto era negociado a 14,39 cents por libra-peso, alta de 12 pontos. O vencimento outubro também avançava 12 pontos, cotado a 14,85 cents por libra-peso.

Na bolsa de Londres, o açúcar branco seguia em direção oposta. O contrato agosto recuava 170 pontos, para US$ 447,50 por tonelada, enquanto o vencimento outubro registrava queda de 40 pontos, negociado a US$ 442,30 por tonelada.

O mercado continua dividido entre os riscos climáticos e a perspectiva de ampla oferta global. Na véspera, as cotações chegaram a sentir pressão após uma queda de aproximadamente 3% nos preços do petróleo bruto. O movimento reduz a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.

Além disso, os fundamentos de oferta seguem pesando sobre os preços. Dados divulgados pela Unica mostraram que a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. O avanço foi favorecido pelo aumento da qualidade da matéria-prima, com o teor de sacarose atingindo 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.

Pressão da Tailândia

Outro fator de pressão vem da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar cresceram 29% entre janeiro e abril de 2026, alcançando 1,6 milhão de toneladas e reforçando a percepção de abastecimento confortável no mercado global.

Apesar disso, os investidores seguem atentos ao desenvolvimento do El Niño. O fenômeno pode reduzir o volume de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo o potencial produtivo das próximas safras.

As preocupações ganharam força após o serviço meteorológico da Índia revisar para baixo sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro, reduzindo a estimativa de 92% para 90% da média histórica. A mudança aumenta as incertezas sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de permanência do fenômeno até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade, o chamado "Super El Niño".

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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