Açúcar opera sem direção única nesta segunda-feira, com mercado dividido entre oferta elevada e riscos climáticos
Os preços do açúcar operam em direções opostas nas principais bolsas internacionais nesta segunda-feira (8), refletindo o equilíbrio entre a perspectiva de ampla oferta global e as preocupações com os impactos do fenômeno El Niño sobre importantes regiões produtoras.
Por volta das 8h30 (horário de Brasília), na bolsa de Nova York, o contrato julho avançava 7 pontos e era negociado a 14,21 cents por libra-peso. O vencimento outubro registrava leve alta de 1 ponto, cotado a 14,64 cents por libra-peso.
Em Londres, o movimento era de baixa. O contrato agosto do açúcar branco recuava 300 pontos, negociado a US$ 443,90 por tonelada. Já o contrato outubro registrava queda de 230 pontos, cotado a US$ 438,90 por tonelada.
Oferta segue pressionando o mercado
Os investidores continuam acompanhando os fundamentos de oferta, que permanecem negativos para as cotações.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) informou que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil atingiu 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O desempenho foi favorecido pela melhora da qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose alcançou 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Além do avanço da produção brasileira, o mercado também acompanha o crescimento das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril deste ano, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas de açúcar, aumento de 29% em relação ao mesmo período de 2025, reforçando o cenário de oferta confortável no mercado internacional.
Outro fator que pesou sobre as cotações nos últimos pregões foi a queda do petróleo. Com os combustíveis fósseis mais baratos, o etanol perde competitividade, o que pode estimular usinas a direcionarem mais cana para a fabricação de açúcar, ampliando ainda mais a disponibilidade da commodity.
El Niño limita as perdas
Apesar da pressão exercida pela oferta, o mercado segue atento aos riscos climáticos para a próxima safra global.
As preocupações aumentaram após o serviço meteorológico da Índia reduzir sua previsão de chuvas para a temporada de monções entre junho e setembro. A estimativa passou de 92% para 90% da média histórica, elevando as incertezas sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.
Além da Índia, investidores monitoram os possíveis impactos do El Niño sobre Brasil e Tailândia, dois dos principais fornecedores globais da commodity. O receio é que períodos de seca reduzam a produtividade das lavouras e afetem a oferta nos próximos meses.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 82% de probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho, com possibilidade de permanência até o final do ano. A agência também aponta 67% de chance de ocorrência de um evento de forte intensidade, conhecido como "Super El Niño".
Com isso, o mercado segue dividido entre a ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo e os riscos climáticos que podem impactar a produção mundial na próxima temporada.