Açúcar opera sem direção única, com mercado acompanhando exportações do Brasil

Publicado em 07/07/2026 11:45
Contratos mostram estabilidade em Nova Iorque e recuam em Londres, enquanto investidores seguem atentos aos riscos para a oferta global e ao desempenho das exportações brasileiras

Após a forte valorização registrada nos últimos pregões, o mercado do açúcar opera sem uma direção definida nesta terça-feira (7). Enquanto os contratos em Nova Iorque apresentam estabilidade, as cotações em Londres recuam, em um movimento de ajuste. No entanto, os fundamentos que sustentaram a recente alta da commodity seguem no radar dos investidores, principalmente as preocupações com a oferta global e o clima na Índia.

Por volta das 11h40 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 15,21 cents por libra-peso, praticamente estável em relação ao fechamento anterior. Já o contrato março/27 era cotado a 16,11 cents por libra-peso.

Em Londres, as cotações operavam em baixa. O contrato agosto era negociado a US$ 477,30 por tonelada, com recuo de 111 pontos, enquanto o contrato outubro era comercializado a US$ 467,30 por tonelada, queda de 115 pontos.

Na sessão anterior, os preços encerraram em alta, impulsionados pela valorização do real frente ao dólar. Um câmbio mais favorável reduz o interesse dos produtores brasileiros em ampliar as vendas externas, restringindo a oferta da commodity no mercado internacional e dando suporte às cotações.

Além do câmbio, o mercado continua monitorando as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas das monções permanecia 20% abaixo da média histórica até 6 de julho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alerta que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.

A escassez de chuvas preocupa porque o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Caso o déficit hídrico persista, há risco de impactos tanto sobre a safra atual quanto sobre a próxima temporada, o que pode reduzir a oferta global da commodity.

Nas últimas semanas, esse cenário levou os contratos a acumularem forte valorização. Em Nova Iorque, o açúcar atingiu o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto, em Londres, as cotações renovaram as máximas em aproximadamente nove meses, refletindo as incertezas em relação à produção asiática.

Exportações brasileiras perdem ritmo

No Brasil, os dados mais recentes de comércio exterior também permanecem no radar dos agentes do mercado. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços em junho, volume 7,16% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

A receita das exportações caiu 24,26%, passando de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão, enquanto o preço médio recuou 18,42%, para US$ 349,59 por tonelada.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques brasileiros somaram 12,29 milhões de toneladas, queda de 4,39% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita totalizou US$ 4,43 bilhões, recuo de 24,98%, enquanto o preço médio de exportação ficou em US$ 360,01 por tonelada, retração de 21,53% na comparação anual.

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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