Açúcar recua após sequência de altas, mas oferta global segue no centro das atenções

Publicado em 07/07/2026 16:14
Contratos encerram em baixa em Nova Iorque e Londres após sequência de ganhos, mas preocupações com a oferta global e clima na Índia seguem dando suporte ao mercado

Depois de acumular fortes ganhos nas últimas semanas, os preços do açúcar encerraram a terça-feira (7) em queda nas principais bolsas internacionais. O recuo foi provocado por um movimento de realização de lucros, após as cotações atingirem os maiores patamares dos últimos meses. Com a valorização recente, parte dos investidores aproveitou para vender contratos e garantir os ganhos, pressionando os preços. Apesar da correção, o mercado segue atento aos fundamentos da oferta global, que continuam dando sustentação às cotações e limitando perdas mais expressivas. 

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com queda de 8 pontos, negociado a 15,14 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou cotado a US$ 475,90 por tonelada, recuo de 125 pontos.

Depois de uma sequência de fortes altas que levou o açúcar aos maiores patamares dos últimos meses, parte dos investidores optou por realizar lucros. A venda de contratos para garantir os ganhos obtidos pressionou as cotações ao longo da sessão e provocou o recuo dos preços. 

Ainda assim, o cenário de oferta segue sustentando as cotações. Nas últimas duas semanas, os contratos acumularam forte valorização, com o açúcar em Nova Iorque atingindo o maior patamar em cerca de oito semanas e o açúcar em Londres alcançando a maior cotação em aproximadamente dez meses.

O principal fator de sustentação continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. As preocupações com as fracas chuvas durante a temporada de monções aumentam o risco de redução da produção de cana-de-açúcar e, consequentemente, da oferta global da commodity.

Exportações brasileiras seguem no radar

Além das condições climáticas na Ásia, os agentes acompanham os números do comércio exterior brasileiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas de açúcares e melaços em junho, volume 7,16% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

A receita das exportações caiu 24,26%, passando de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão, enquanto o preço médio recuou 18,42%, para US$ 349,59 por tonelada.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, os embarques brasileiros somaram 12,29 milhões de toneladas, queda de 4,39% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita totalizou US$ 4,43 bilhões, retração de 24,98%, enquanto o preço médio das exportações ficou em US$ 360,01 por tonelada, baixa de 21,53% na comparação anual.

Mercado físico reage pontualmente

No mercado interno, o açúcar cristal branco apresentou recuperação pontual no mercado à vista paulista. Segundo pesquisadores do Cepea/Esalq-USP, o avanço foi favorecido pelas chuvas, que interromperam parte das atividades de colheita e logística, além da recente reação das cotações internacionais.

Apesar disso, o centro de pesquisas ressalta que o comportamento dos preços ainda inspira cautela. Na média da última semana, as cotações permaneceram abaixo das registradas na semana anterior, indicando que o mercado físico ainda busca uma direção mais consistente.

Na sexta-feira (3), o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal (Icumsa 130 a 180) foi cotado a R$ 93,59 por saca de 50 quilos, alta de 1,4% em relação ao encerramento da semana anterior, quando estava em R$ 92,31 por saca.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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