Açúcar recua nas bolsas com melhora do clima na Índia e realização de lucros

Publicado em 22/07/2026 10:51
Mercado devolve parte dos ganhos recentes enquanto investidores acompanham a evolução das monções, o petróleo e o ritmo da oferta brasileira

Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (23), em um movimento de ajuste após a alta registrada na sessão anterior. 

Por volta das 10h40 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,75 cents por libra-peso, com queda de 13 pontos. O contrato março/27 também operava em baixa (cotação não informada).

Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro era negociado a US$ 466,40 por tonelada, recuo de 290 pontos. Já o contrato dezembro era vendido a US$ 464,50 por tonelada, baixa de 330 pontos.

Na sessão anterior, os preços encerraram em alta, sustentados pela valorização do petróleo, que reforçou a expectativa de maior direcionamento da cana para a produção de etanol. O movimento elevou a competitividade do biocombustível e aumentou as apostas de redução da oferta de açúcar no mercado internacional.

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo o mercado de energia. Na terça-feira, o petróleo WTI avançou mais de 2% e atingiu o maior nível em cinco semanas, favorecendo a produção de etanol em detrimento do açúcar. Nesta quarta-feira, no entanto, os contratos passaram por um ajuste, devolvendo parte dos ganhos recentes.

Apesar disso, as atenções permanecem voltadas para a Índia. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada de monções caiu para 23% abaixo da média histórica até 20 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho. O avanço das precipitações reduz, ao menos por enquanto, as preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Os investidores também seguem acompanhando o posicionamento dos fundos de investimento na ICE de Londres. Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar branco na semana encerrada em 14 de julho, alcançando um recorde de 58.847 contratos. Esse elevado volume de posições pode aumentar a volatilidade do mercado, principalmente diante de movimentos de realização de lucros.

Mesmo com a recente correção, o açúcar ainda acumula forte valorização nas últimas semanas. No início de julho, os contratos em Nova Iorque atingiram os maiores níveis em cerca de dois meses, enquanto Londres renovou máximas de mais de dez meses, refletindo os temores de uma oferta global mais restrita.

Embora as chuvas tenham melhorado nas últimas semanas, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções de 2026 poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos, mantendo o mercado atento ao comportamento do clima nos próximos meses.
Mercado interno

No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco seguem oscilando em São Paulo e ainda não apresentam uma tendência definida. Após acompanharem a recuperação das cotações internacionais nos últimos dias, os negócios continuam sendo influenciados pelas mudanças no cenário interno e externo.

Segundo pesquisadores do Cepea, a volatilidade reflete as sucessivas alterações nos fatores que afetam o mercado, dificultando a consolidação de uma direção para os preços.

O centro de pesquisas destaca ainda que a oferta nacional permanece confortável. A produção brasileira segue suficiente para atender ao consumo interno e gerar excedentes para exportação, favorecida pelas boas condições climáticas observadas até o momento para o desenvolvimento da safra. Esse cenário continua limitando movimentos mais expressivos de alta no mercado físico.


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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