Açúcar recua nas bolsas com mercado de olho em menor importação da Índia

Publicado em 25/08/2026 11:22
Cotações caem em Nova Iorque e Londres nesta terça-feira, pressionadas por estimativas de que as compras indianas podem ficar abaixo do limite de 1 milhão de toneladas autorizado pelo governo.

Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (25), ampliando a pressão observada no pregão anterior. O movimento ocorre principalmente diante das expectativas de que a Índia, segundo maior produtor mundial, importe menos açúcar do que o inicialmente previsto, reduzindo o impacto da medida anunciada pelo governo para reforçar a oferta doméstica.

Na Bolsa de Nova Iorque por volta das 11h (horário de Brasília), o contrato de outubro era negociado a 17,30 cents por libra-peso, queda de 35 pontos. Já o contrato maio/27 recuava 30 pontos, para 18,29 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato de outubro era comercializado a US$ 518,60 por tonelada, baixa de 173 pontos. O contrato dezembro registrava queda de 172 pontos, negociado a US$ 516,20 por tonelada.

Índia pode importar menos açúcar

O principal fator de pressão sobre as cotações nesta terça-feira continua sendo a perspectiva de que a Índia não utilize integralmente a autorização para importar açúcar.

A Greenleaf, empresa indiana de análise do setor, estima que o país provavelmente não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas até 31 de outubro, metade do limite de 1 milhão de toneladas estabelecido pelo governo.

Na última quinta-feira (20), a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida busca ampliar a oferta doméstica e conter os preços diante da expectativa de aumento do consumo durante a temporada de festas.

A decisão chamou a atenção do mercado porque a Índia normalmente ocupa uma posição de exportadora de açúcar e não realiza importações significativas desde a safra 2017/18.

Com a possibilidade de as compras ficarem abaixo do limite autorizado, parte do impacto esperado da medida sobre a oferta global é reduzida.

Setor indiano diz que não há escassez

Além da perspectiva de importações menores, a avaliação do próprio setor açucareiro indiano também contribui para pressionar as cotações.

A Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) afirmou que não há escassez de açúcar no país e que os estoques disponíveis são suficientes para atender ao aumento esperado da demanda durante a temporada de festivais.

A entidade também projeta que a produção de açúcar da Índia em outubro alcance 1 milhão de toneladas, acima dos níveis considerados normais para o período, entre 300 mil e 400 mil toneladas.

As informações reduzem as preocupações com uma possível falta imediata de açúcar no mercado indiano e diminuem a necessidade de compras externas em volumes elevados.

Mercado ainda acompanha oferta global

Apesar da pressão vinda da Índia, o mercado internacional continua monitorando as perspectivas de uma oferta global mais restrita nas próximas safras.

Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto Londres alcançou o maior nível em 17 meses.

O movimento foi sustentado por projeções de déficit global, problemas climáticos em importantes regiões produtoras e redução da produção em alguns mercados.

Assim, a queda desta terça-feira ocorre após um período de forte valorização. Os investidores agora acompanham se o movimento representa apenas uma correção das cotações ou se ganha força diante da percepção de uma oferta indiana mais confortável do que a inicialmente esperada.


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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