Cana em PE: produtores ameaçam parar entregas diante de preços abaixo dos custos

Publicado em 03/09/2026 14:21
Fornecedores de cana reivindicam reajuste no preço pago pelas usinas e terão reunião de negociação antes de decisão no Consecana

A crise enfrentada pelos fornecedores de cana-de-açúcar de Pernambuco se agravou nesta semana e pode levar à suspensão da entrega de matéria-prima às usinas a partir de 14 de setembro. A decisão foi tomada pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) diante da diferença entre o custo de produção e o valor recebido pela tonelada da cana na safra 2026/27.

De acordo com a entidade, a tonelada da cana está sendo comercializada atualmente por cerca de R$ 139,27, enquanto o custo de produção estimado é de R$ 215 por tonelada. Com essa diferença, os produtores acumulam um resultado negativo de R$ 75,73 por tonelada entregue às usinas, segundo a AFCP.

O cálculo do custo foi elaborado com base em estudo técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP), considerando os números da safra 2025/26.

Segundo o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, a situação coloca os fornecedores diante de uma equação difícil, já que os custos no campo avançaram enquanto a remuneração pela matéria-prima permaneceu abaixo do necessário para cobrir as despesas.

Fornecedores pedem revisão do preço

A entidade iniciou uma mobilização para pressionar pela revisão do valor pago pela cana em Pernambuco. A principal reivindicação é que a discussão seja levada ao Consecana, fórum que reúne produtores e indústrias para tratar da formação dos valores de referência da cana.

Além da defasagem em relação ao custo de produção, os fornecedores pernambucanos questionam a diferença de remuneração em relação a Alagoas. Segundo a AFCP, a tonelada da cana no estado vizinho está cerca de R$ 16 acima do valor praticado em Pernambuco.

Para Alexandre Andrade Lima, as condições dos mercados de Pernambuco, Alagoas e Paraíba são semelhantes, o que justificaria uma aproximação entre os preços.

“Inicialmente, vamos pedir uma equalização do preço com o que está sendo praticado em Alagoas”, afirmou o presidente da entidade.

A associação defende que as usinas avaliem um reajuste dentro do próprio Consecana, evitando que a diferença entre o custo de produção e o preço recebido pelos agricultores se amplie.

A decisão de interromper o fornecimento, caso as reivindicações não sejam atendidas, não é imediata. Antes da data prevista para a suspensão, fornecedores e representantes das usinas devem se reunir no dia 9 de setembro, na sede da AFCP, para tentar construir uma solução negociada.

O encontro ocorrerá poucos dias antes da reunião decisiva do Consecana, marcada para 14 de setembro. É nesse fórum que produtores e indústrias discutem e estabelecem os valores de referência para a cana-de-açúcar.

Caso não haja avanço nas negociações, os fornecedores afirmam que poderão deixar de entregar a produção às usinas a partir do dia 14.
Auxílios emergenciais aliviam, mas não resolvem problema

Diante da deterioração das margens, os produtores também contarão com medidas emergenciais dos governos estadual e federal. O governo de Pernambuco deverá disponibilizar fertilizantes aos fornecedores, enquanto a União prevê uma subvenção de R$ 12 por tonelada de cana.

Para a AFCP, porém, os auxílios ajudam a reduzir a pressão sobre os produtores, mas não solucionam a diferença estrutural entre os custos de produção e o preço recebido pela cana.

A entidade aponta que a elevação dos gastos com insumos e demais custos do cultivo vem comprometendo a rentabilidade da atividade justamente em um momento em que a remuneração da matéria-prima ainda reflete o período de queda das cotações internacionais do açúcar.

Os preços do açúcar, que pressionaram a remuneração da cana ao longo do último ano, apresentaram recuperação em agosto. Os fornecedores defendem que essa melhora também seja considerada na formação dos valores pagos pela matéria-prima.

A preocupação é que, sem uma recomposição dos preços, a atividade continue acumulando prejuízos e comprometa a capacidade dos produtores de manter os investimentos necessários para as próximas safras.

Por: Andréia Marques com informações de Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP)
Fonte: Notícias Agrícolas

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