Açúcar opera em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quinta-feira
Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (10), dando sequência aos ganhos registrados no pregão anterior. O mercado segue sustentado pelas perspectivas de menor oferta em importantes países produtores, com destaque para a Tailândia, enquanto as condições de produção na Europa, Índia e Brasil também permanecem no radar.
Na bolsa de Nova Iorque, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 18,61 cents por libra-peso, com alta de 21 pontos. Já o contrato março/27 avançava 22 pontos, cotado a 19,61 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 537,50 por tonelada, avanço de 320 pontos. O contrato dezembro subia 410 pontos, para US$ 539,70 por tonelada.
Tailândia reforça preocupação com oferta
No pregão anterior, os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais, apoiados pela valorização do petróleo e pelas perspectivas de menor produção na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar.
Na segunda-feira, a Thai Sugar Millers Corp projetou que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
A possibilidade de uma redução significativa na produção tailandesa aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar para exportação e ajuda a sustentar as cotações internacionais.
Mercado acompanha déficit global
As perspectivas de um balanço mundial mais apertado também continuam dando suporte aos preços.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, depois de estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. Para a próxima temporada, a entidade projeta produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.
Outras consultorias também apontam para um cenário de oferta mais restrita. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta déficit de 1,7 milhão de toneladas. A Covrig Analytics prevê saldo negativo de 300 mil toneladas.
Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas também pressionam as perspectivas de produção. Dados da S&P Global Energy indicam que a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido deverá ficar em 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.
Índia continua limitando os ganhos
Apesar do cenário de oferta mais apertada, a possibilidade de a Índia importar menos açúcar do que o inicialmente previsto continua sendo um fator de pressão sobre o mercado.
Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para revendedores, com validade de 15 de setembro a 20 de novembro. A medida busca aumentar a disponibilidade interna e conter a especulação.
Com estoques domésticos maiores, a necessidade de importação do país pode ser menor, reduzindo uma possível fonte de demanda no mercado internacional.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente também atua como exportadora. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro.
As condições climáticas continuam sendo outro ponto de atenção. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 14% abaixo da média até 7 de setembro. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o resultado ainda mantém preocupações sobre a produção agrícola.
Brasil também entra no radar
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção no Centro-Sul também contribui para um cenário de oferta mais restrita.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Além disso, a relação entre os preços do açúcar e do etanol segue importante para o mercado. Com o petróleo em níveis mais elevados, o etanol ganha competitividade, o que pode estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a quantidade disponível para o açúcar.
O cenário climático também permanece no radar, com preocupações sobre os possíveis efeitos do El Niño sobre as chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, importantes regiões produtoras.