Produtores de cana de Pernambuco alertam para prejuízos e dizem que subvenção não resolve crise

Publicado em 10/09/2026 14:24
Custo de produção supera em mais de R$ 75 por tonelada o valor pago pelas usinas; fornecedores cobram revisão da remuneração e ameaçam interromper entregas caso não haja acordo

Os produtores independentes de cana-de-açúcar de Pernambuco enfrentam uma forte pressão sobre as margens nesta safra, com o custo de produção muito acima do valor recebido pela matéria-prima entregue às usinas. A diferença chega a R$ 75,73 por tonelada, segundo levantamento utilizado pela Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

Diante desse cenário, os fornecedores afirmam que a subvenção federal de R$ 12 por tonelada, embora importante para reduzir parte das perdas, está longe de resolver o problema financeiro enfrentado pelo setor.

Segundo os dados apresentados pela entidade, o custo para produzir uma tonelada de cana na safra 2025/26 está estimado em cerca de R$ 215, enquanto o preço praticado pelas usinas pernambucanas estaria em torno de R$ 139,27 por tonelada.

Na prática, os fornecedores recebem um valor inferior ao necessário para cobrir os custos da lavoura. Mesmo considerando a subvenção federal de R$ 12, a diferença ainda ficaria próxima de R$ 63,73 por tonelada.

Subvenção reduz perdas, mas não cobre diferença

A ajuda federal foi concedida aos produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste como forma de compensar perdas econômicas relacionadas às condições de mercado, medidas comerciais e eventos climáticos extremos.

O benefício é de R$ 12 por tonelada de cana comercializada entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, com limite de R$ 270 milhões em recursos.

Para os fornecedores pernambucanos, no entanto, o auxílio tem caráter emergencial e não substitui uma remuneração adequada pela matéria-prima.

Os produtores precisam arcar com custos de preparo e manutenção dos canaviais, mão de obra, insumos, transporte e renovação das áreas.

Com o preço recebido pelas usinas abaixo do custo produtivo, a atividade fica cada vez mais pressionada.

Pernambuco tem remuneração inferior à de Alagoas, diz entidade

Além da diferença entre custo e preço recebido, a AFCP questiona os valores praticados pelas usinas de Pernambuco quando comparados aos de Alagoas, estado que apresenta características semelhantes na produção de cana-de-açúcar.

Segundo a associação, a remuneração praticada em Pernambuco estaria aumentando ainda mais a defasagem enfrentada pelos fornecedores.

A entidade defende uma revisão dos parâmetros utilizados para calcular o valor da cana no estado e busca uma aproximação entre o preço pago ao produtor e os custos efetivamente enfrentados no campo.

A remuneração da matéria-prima considera fatores como a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) presente na cana e os preços do açúcar e do etanol. Por isso, os fornecedores cobram uma avaliação dos critérios utilizados na formação dos valores pagos pelas usinas pernambucanas.

Setor ameaça suspender entrega de cana

A insatisfação pode chegar a um ponto crítico na próxima reunião do Consecana-PE, marcada para o dia 14 de setembro.

A AFCP participará da reunião e espera que produtores e indústrias encontrem uma solução para melhorar a remuneração da matéria-prima.

Caso não haja avanço nas negociações, a entidade afirma que os produtores poderão deixar de fornecer cana às usinas de Pernambuco.

A possibilidade de suspensão das entregas aumenta a pressão sobre a indústria sucroenergética, já que os fornecedores independentes representam uma parcela importante da matéria-prima utilizada pelas unidades industriais.

A crise foi discutida nesta terça-feira (8), durante encontro realizado na sede da AFCP, no Recife, com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto, além de lideranças e representantes do setor.

Durante a reunião, a entidade homenageou o ministro pela participação na concessão da subvenção de R$ 12 por tonelada de cana comercializada na safra 2025/26.

Apesar do reconhecimento ao auxílio federal, os fornecedores reforçaram que a medida não elimina o problema central: a diferença entre o custo de produção e o preço recebido pela cana.

A expectativa agora está voltada para a reunião do Consecana-PE. Para os produtores, uma solução para a remuneração é necessária para garantir a continuidade da atividade e evitar que os prejuízos comprometam os investimentos nos canaviais e o fornecimento de matéria-prima às usinas.

A subvenção, portanto, representa um importante apoio para reduzir as perdas, mas, na avaliação dos fornecedores, não é suficiente para devolver sustentabilidade econômica à produção de cana em Pernambuco.


 

Por: Associação dos fornecedores de cana de Pernambuco
Fonte: Associação dos fornecedores de ca

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