Açúcar opera em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira
Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta sexta-feira (11), devolvendo parte dos ganhos registrados no pregão anterior. Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro em Nova Iorque era negociado a 18,00 cents por libra-peso, com baixa de 73 pontos.
Em Londres, o contrato outubro recuava 158 pontos, negociado a US$ 522,50 por tonelada, enquanto o dezembro era cotado a US$ 527,20, com queda de 144 pontos.
Na quinta-feira (10), o mercado havia encerrado em alta, com as cotações atingindo os maiores níveis das últimas semanas. Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou a 18,73 cents por libra-peso, alta de 33 pontos. Em Londres, o vencimento outubro avançou 400 pontos, para US$ 538,30 por tonelada.
A queda desta sexta-feira ocorre após o movimento positivo registrado na sessão anterior, quando o açúcar encontrou suporte principalmente na forte valorização do petróleo bruto.
Na quinta-feira, o petróleo subiu mais de 6%, alcançando o maior nível em cerca de três meses e meio. A alta melhora a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis e aumenta a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível.
Esse cenário pode reduzir a quantidade de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar e, consequentemente, limitar a oferta do produto no mercado internacional.
Produção menor na Tailândia segue no radar
Mesmo com a queda das cotações nesta sexta-feira, o mercado continua atento às perspectivas de menor produção na Tailândia, importante exportador mundial de açúcar.
A Thai Sugar Millers Corp projetou nesta semana que a produção do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
Uma produção menor na Tailândia tende a reduzir a disponibilidade de açúcar para exportação e mantém as preocupações com a oferta global.
Déficit global sustenta atenção sobre a oferta
Outro ponto acompanhado pelos agentes do mercado é a possibilidade de um balanço mundial mais apertado na safra 2026/27.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas na próxima temporada, após estimar superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. Para 2026/27, a entidade prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.
Outras consultorias também trabalham com números negativos para o balanço global. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX projeta 1,7 milhão de toneladas e a Covrig Analytics, 300 mil toneladas.
Na Europa, a produção também deve ser menor. Dados da S&P Global Energy apontam para uma produção de açúcar de 14,98 milhões de toneladas na União Europeia e no Reino Unido, o menor volume em 11 anos.
Índia continua sendo fator de pressão
Do lado contrário, a Índia continua trazendo alguma pressão para o mercado diante da possibilidade de importar menos açúcar do que o inicialmente esperado.
Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para revendedores, medida que entra em vigor em 15 de setembro e segue até 20 de novembro. O objetivo é aumentar a disponibilidade interna e conter a especulação.
Com maior oferta dentro do país, a necessidade de importações pode ser menor, reduzindo uma possível fonte de demanda no mercado internacional.
Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos, até 31 de outubro.
As condições climáticas também permanecem no radar. As chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico da Índia. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até o fim de junho, o cenário ainda exige atenção para a produção agrícola.
Brasil completa o cenário de oferta
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção registrada no Centro-Sul também contribui para um cenário de oferta mais restrita.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A relação entre açúcar e etanol ganha ainda mais importância diante da valorização do petróleo. Com o biocombustível mais competitivo, as usinas podem aumentar a parcela da cana destinada ao etanol, reduzindo a matéria-prima disponível para a fabricação de açúcar.
Além disso, o El Niño permanece como um fator de risco para a oferta mundial, com possibilidade de alterações no regime de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.