Açúcar fecha em queda com recuo do petróleo nas bolsas de Nova Iorque e Londres
Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (11), pressionados principalmente pelo recuo de mais de 2% do petróleo. A baixa devolveu parte dos ganhos registrados na quinta-feira, quando o petróleo avançou 6,7% e atingiu a maior cotação em três meses e meio.
Em Nova Iorque, o contrato outubro do açúcar fechou com baixa de 58 pontos, a 18,15 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro recuou 152 pontos, para US$ 523,10 por tonelada.
Petróleo perde força e pressiona o açúcar
A queda do petróleo reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis. Com isso, diminui também o incentivo para que as usinas direcionem maior parcela da cana para a produção de etanol.
Na prática, um cenário de petróleo mais fraco pode favorecer uma maior destinação da matéria-prima para a fabricação de açúcar, aumentando a disponibilidade do produto e pressionando as cotações internacionais.
O movimento desta sexta-feira veio após a forte valorização do petróleo na quinta-feira, que havia dado suporte ao açúcar ao reforçar a possibilidade de maior produção de etanol pelas usinas.
Menor produção na Tailândia limita pressão sobre os preços
Apesar da queda no pregão, o mercado segue encontrando algum suporte nas perspectivas de menor produção na Tailândia.
A Thai Sugar Millers Corp projetou nesta semana que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar, e uma produção menor tende a reduzir a disponibilidade do produto no mercado internacional.
Déficit global continua no radar
A perspectiva de um balanço mundial mais apertado também permanece como um dos principais fundamentos acompanhados pelo mercado.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
Outras consultorias também passaram a trabalhar com cenários de déficit. A Covrig Analytics estima saldo negativo de 300 mil toneladas para 2026/27, enquanto a StoneX projeta déficit de 1,7 milhão de toneladas.
Para a safra 2027/28, a Czarnikow prevê um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, com produção global estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A consultoria aponta possíveis impactos climáticos e redução do plantio de cana e beterraba em importantes regiões produtoras.
Índia segue entre os fatores de atenção
A situação da Índia também continua sendo acompanhada de perto. Segundo o Departamento Meteorológico do país, as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro.
Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e, tradicionalmente, também possui forte presença nas exportações. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, sem impostos, até 31 de outubro.
A medida aumenta a possibilidade de maior disponibilidade no mercado doméstico indiano e, ao mesmo tempo, reduz a perspectiva de que o país tenha grandes volumes para exportação.
Brasil também influencia o cenário
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção no Centro-Sul contribui para limitar a oferta global.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A relação entre açúcar e etanol continua sendo um dos pontos importantes para o mercado. Quando o petróleo sobe, o etanol tende a ganhar competitividade e pode estimular as usinas a direcionarem mais cana para o biocombustível. Já quando o petróleo recua, como ocorreu nesta sexta-feira, esse incentivo diminui.
El Niño mantém preocupação com a oferta
O clima também permanece no radar. A possibilidade de um El Niño forte aumenta as preocupações com a produção de açúcar, especialmente diante do risco de redução das chuvas em importantes áreas produtoras.
Brasil, Índia e Tailândia estão entre as regiões que podem ser afetadas pelo fenômeno, o que mantém o mercado atento ao comportamento das condições climáticas para os próximos meses.