Açúcar opera em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta segunda-feira
Os preços do açúcar operam em baixa nas principais bolsas internacionais nesta segunda-feira (14). Em Nova Iorque, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 18,01 cents por libra-peso, com queda de 14 pontos. Já o contrato março de 2027 recuava 21 pontos, cotado a 18,92 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 520,50 por tonelada, com baixa de 560 pontos, enquanto o dezembro recuava 320 pontos, para US$ 525,50 por tonelada.
Na sexta-feira (11), o açúcar também fechou em queda nas bolsas internacionais. O movimento ocorreu em meio ao recuo do petróleo, que perdeu mais de 2% após a forte alta registrada na quinta-feira, quando avançou 6,7%.
Mercado ajusta posições após altas recentes
A queda desta segunda-feira ocorre em um cenário de ajuste após os ganhos registrados ao longo da semana passada, quando o açúcar encontrou suporte principalmente na valorização do petróleo e nas preocupações com a oferta mundial.
O comportamento do petróleo continua importante para o mercado, já que preços mais elevados do combustível aumentam a competitividade do etanol e podem estimular as usinas a destinarem uma parcela maior da cana para o biocombustível, reduzindo a quantidade disponível para a produção de açúcar.
Com a recente perda de força do petróleo, esse suporte diminui e abre espaço para pressão sobre as cotações do açúcar.
Menor produção na Tailândia segue no radar
Apesar da baixa nas bolsas, as perspectivas de menor produção na Tailândia continuam oferecendo algum suporte ao mercado.
A Thai Sugar Millers Corp projetou que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.
A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar. Uma redução na produção tende a diminuir a disponibilidade para exportação e aumenta a preocupação com a oferta global.
Déficit mundial mantém atenção sobre a oferta
Outro ponto importante é a expectativa de um balanço mundial mais apertado na próxima safra.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na safra 2025/26.
Outras consultorias também trabalham com déficits. A Covrig Analytics estima saldo negativo de 300 mil toneladas para 2026/27, enquanto a StoneX prevê déficit de 1,7 milhão de toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A consultoria aponta impactos climáticos e redução do plantio de cana e beterraba em importantes regiões produtoras.
Índia continua entre os pontos de atenção
As condições de produção na Índia também permanecem no radar do mercado. Segundo o Departamento Meteorológico do país, as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro.
Embora o cenário tenha melhorado em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente também participa das exportações. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro.
A medida pode aumentar a disponibilidade no mercado interno e reduzir a necessidade de importações maiores no futuro, enquanto também limita a possibilidade de o país disponibilizar grandes volumes para exportação.
Brasil também influencia as cotações
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção no Centro-Sul contribui para um cenário de oferta mais restrita.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A relação entre açúcar e etanol também permanece importante. Quando o petróleo sobe, o etanol ganha competitividade e pode estimular as usinas a direcionarem mais cana para o biocombustível. Com o petróleo em baixa, como ocorreu na sexta-feira, esse incentivo diminui, favorecendo uma maior disponibilidade de cana para a produção de açúcar.
El Niño mantém preocupação com a oferta
O clima continua sendo outro fator de atenção para o mercado. A possibilidade de um El Niño forte aumenta as preocupações com a produção mundial, especialmente diante do risco de redução das chuvas em importantes regiões produtoras.
Brasil, Índia e Tailândia estão entre as áreas que podem sofrer impactos do fenômeno. Por isso, o comportamento das condições climáticas continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado nas próximas semanas.