Açúcar fecha em leve alta em Nova Iorque e Londres com suporte do petróleo

Publicado em 14/09/2026 16:04 e atualizado em 14/09/2026 16:38
Cotações encontram apoio na valorização do petróleo, mas seguem abaixo das máximas registradas na semana passada

Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (14), mas permaneceram abaixo das máximas alcançadas na semana passada. O mercado encontrou suporte na valorização do petróleo, que voltou a operar nos maiores níveis em mais de três meses e melhora a competitividade do etanol.

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com alta de 1 ponto, a 18,16 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro avançou 170 pontos, para US$ 524,80 por tonelada.

A valorização do petróleo tende a favorecer o etanol frente aos combustíveis fósseis. Com o biocombustível mais competitivo, as usinas podem destinar uma parcela maior da cana para a produção de etanol e menos para o açúcar, restringindo a oferta do produto no mercado internacional.

Oferta global segue no centro das atenções

Apesar dos ganhos desta segunda-feira, o açúcar segue consolidado abaixo das máximas registradas na semana passada, quando Nova Iorque atingiu o maior nível em 17 meses e Londres alcançou a maior cotação em três semanas.

O movimento ocorreu em meio à perspectiva de um balanço mundial mais apertado na safra 2026/27. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a próxima temporada, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A produção mundial também deve recuar. A ISO estima 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.

Outras consultorias trabalham com números ainda mais negativos. A Covrig Analytics prevê déficit de 300 mil toneladas, enquanto a StoneX estima saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas.

Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial de 177 milhões de toneladas, queda de 0,7%. A previsão considera, entre outros fatores, a redução do plantio de cana e beterraba e possíveis impactos climáticos em importantes regiões produtoras.

Tailândia pode produzir menos

A perspectiva de menor produção na Tailândia também continua dando sustentação aos preços.

A Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para cerca de 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar, e uma redução na produção pode limitar a disponibilidade do produto no mercado internacional.

Índia entre os fatores de pressão

Do lado contrário, a Índia continua trazendo um fator de pressão para as cotações.

As chuvas de monção acumuladas no país estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico da Índia.

O número representa melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, mas ainda mantém preocupação sobre as condições das lavouras.

O Ministério de Ciências da Terra da Índia chegou a alertar que a monção deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro, o que pode aumentar a disponibilidade interna e reduzir a necessidade de compras maiores no mercado internacional.

Brasil também influencia o mercado

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção no Centro-Sul ajuda a limitar a oferta.

Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Além disso, o comportamento do petróleo continua sendo importante para a decisão das usinas sobre o destino da cana. Com preços mais elevados do combustível, o etanol ganha competitividade e pode estimular uma maior produção do biocombustível em detrimento do açúcar.

Clima permanece no radar

O El Niño também segue como um fator de preocupação para a oferta mundial. Um fenômeno forte pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

Ao mesmo tempo, as projeções para a produção mundial ainda são divergentes. O USDA, por exemplo, prevê produção global de 184,854 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a ISO trabalha com 180,1 milhões.

Para o Brasil, o USDA projeta produção de açúcar de 42,5 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 3% em relação ao ciclo anterior. Para a Índia, a previsão é de aumento de 12%, para 33,6 milhões de toneladas, enquanto a produção da Tailândia poderia cair 15,6%, para 9,5 milhões de toneladas.


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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