Chuvas atrasam moagem de cana e sustentam preços do etanol em SP, aponta Cepea

Publicado em 14/09/2026 15:41 e atualizado em 14/09/2026 16:47

SÃO PAULO, 14 Set (Reuters) - Os preços do etanol tiveram alta de mais de 2% na última semana nas usinas do Estado de São Paulo, com impulso de chuvas que atrasam a moagem de cana-de-açúcar e trazem preocupações sobre o volume que poderá ser processado na temporada 2026/27, avaliou nesta segunda-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Com os ganhos de preços, foi mantida uma tendência de alta registrada desde o final de julho nas usinas de São Paulo, principal produtor e consumidor de etanol.

Desde então foi registrado um avanço de mais de 20% no combustível nas usinas, com o mercado sendo influenciado por uma disparada do açúcar no mercado internacional, afetado por preocupações com uma quebra de produção na Europa e em países da Ásia.

"Com previsão de mais chuvas para esta semana, agentes estão preocupados sobre quanto de cana-de-açúcar ainda deve ser processado até o fim da moagem e quanto de produto estará em estoque nos próximos meses, visto que as atividades estão paralisadas e atrasadas", afirmou o Cepea.

Partes de São Paulo, Minas Gerais e Paraná deverão voltar a ter chuvas próximas ou acima da média histórica esta semana, segundo dados da LSEG. Os volumes, contudo, devem ficar abaixo dos registrados na última semana, quando as precipitações ficaram entre 40 e 60 milímetros em boa parte das áreas.

Entre 8 e 11 de setembro, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi cotado na usina paulista, sem impostos, a uma média de R$2,4622 por litro, avanço de 2,63% frente à semana anterior. Para o etanol anidro, o indicador fechou a R$2,8475/litro (sem PIS/Cofins), elevação de 2,32% em relação à da semana anterior.

Ao final de julho, o etanol hidratado, usado diretamente nos carros, era cotado a cerca de R$2/litro, enquanto o anidro (utilizado na mistura à gasolina) a aproximadamente R$2,30/litro.

O Cepea também chamou a atenção para impacto na comercialização de etanol da medida temporária do governo federal para zerar as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins do etanol hidratado, até 9 de outubro -- ação que foi anunciada junto com uma desoneração da gasolina.

"Após essa notícia, o mercado de etanol ficou praticamente travado. Produtores tinham a intenção de manter os preços ofertados, sem ceder mesmo após o desconto dos tributos."

De outro lado, compradores tentaram oferecer valores mais baixos, já que o imposto não seria mais recolhido pela usina, apontou o Cepea.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

Fonte: Reuters

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