Açúcar opera em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta terça-feira
Os preços do açúcar operam em baixa nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (15), com maior pressão sobre os contratos em Londres. Em Nova Iorque, por volta das 12h10 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 17,98 cents por libra-peso, com queda de 18 pontos. O contrato março de 2027 recuava 13 pontos, a 18,93 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 521,00 por tonelada, enquanto o dezembro apresentava leve recuperação, com alta de 200 pontos, a US$ 529,70 por tonelada.
Na segunda-feira (14), o açúcar fechou em alta nas bolsas internacionais, mas permaneceu abaixo das máximas alcançadas na semana passada. Em Nova Iorque, o contrato outubro avançou apenas 1 ponto, para 18,16 cents por libra-peso. Em Londres, o vencimento outubro subiu 170 pontos, para US$ 524,80 por tonelada.
Petróleo e etanol no radar
Na sessão anterior, a valorização do petróleo ajudou a dar suporte aos preços do açúcar. O avanço do combustível melhora a competitividade do etanol em relação à gasolina e pode estimular as usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção de biocombustível.
Com menos matéria-prima direcionada ao açúcar, a oferta do produto no mercado internacional tende a ficar mais restrita, dando sustentação às cotações.
Perspectiva de déficit limita pressão
Apesar da queda desta terça-feira, o cenário de oferta mundial mais apertada continua no radar.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26. A entidade também prevê queda de 1% na produção mundial, para 180,1 milhões de toneladas.
Outras consultorias trabalham com déficits ainda maiores. A Covrig Analytics estima saldo negativo de 300 mil toneladas, enquanto a StoneX prevê déficit de 1,7 milhão de toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior.
Tailândia pode ter queda na produção
A expectativa de menor produção na Tailândia também ajuda a limitar a pressão sobre os preços.
A Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para cerca de 10 milhões de toneladas.
A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar. Uma produção menor pode reduzir a disponibilidade do produto para exportação e aumentar a preocupação com a oferta global.
Índia continua sendo ponto de atenção
Na Índia, as condições climáticas permanecem entre os fatores acompanhados pelo mercado.
O Departamento Meteorológico informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 15% abaixo da média até 9 de setembro. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o Ministério de Ciências da Terra alertou que a monção deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro.
A medida pode aumentar a disponibilidade no mercado interno e reduzir a necessidade de compras maiores no exterior, funcionando como um fator de pressão sobre as cotações.
Brasil também influencia o mercado
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção no Centro-Sul ajuda a limitar a oferta internacional.
Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Além disso, o comportamento do petróleo pode influenciar diretamente a divisão da cana entre açúcar e etanol. Com o combustível mais valorizado, o biocombustível ganha competitividade e pode estimular uma maior destinação da cana para o etanol.
Clima segue no radar
O El Niño também permanece como fator de risco para a produção mundial. Um fenômeno forte pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
As projeções para a próxima safra, no entanto, ainda apresentam diferenças. O USDA estima produção mundial de 184,854 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a ISO trabalha com 180,1 milhões.
Para o Brasil, o USDA projeta produção de 42,5 milhões de toneladas, queda de 3%. Para a Índia, a expectativa é de aumento de 12%, para 33,6 milhões de toneladas, enquanto a produção da Tailândia pode recuar 15,6%, para 9,5 milhões de toneladas.