Açúcar pode viver mercado ‘super quente’ em 2027 com El Niño e risco de escassez

Publicado em 15/09/2026 12:46
Chuvas no Brasil, estoques reduzidos na Índia e problemas de produção em outros países aumentam os riscos de oferta e podem abrir espaço para novos picos de preços

A ⁠anomalia climática do El Niño e a ⁠redução dos estoques de açúcar na Índia criarão as condições para ‌um mercado super ‘quente’, segundo o ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, empresa de comercialização e processamento de commodities com sede em Cingapura.

‘Pode ‌realmente ser a commodity super quente de 2027, já que o que está acontecendo atualmente e afetando o açúcar pode desencadear um dos mercados mais ‘bullish’ dos últimos 20 anos’, disse o ex-executivo da Wilmar Jean-Luc Bohbot, à Reuters.

O último terço da safra de açúcar no Brasil, maior produtor mundial, ⁠provavelmente ‌será afetado pelo excesso de chuvas, enquanto a Índia, segunda maior produtora, ⁠poderá ser forçada a importar ‘volumes substanciais’, disse ele.

Isso provavelmente levará a novos picos de preço, mesmo após a alta de 20% registrada em agosto, disse Bohbot, que deixou a Wilmar no início deste ano, após 15 anos na empresa.

‘Os riscos (de escassez) não diminuíram durante a ​alta; pelo contrário, aumentaram’, disse ele.‘A Índia teve uma monção mediana e irregular, combinada com estoques muito baixos e, na minha opinião, um ​déficit local de oferta e demanda (S&D)’, disse Bohbot. ‘As exportações desaparecerão completamente, e a Índia poderá, em vez disso, se tornar uma importadora ainda maior em 2027.’

O governo indiano permitiu importações isentas de impostos este ano para melhorar o abastecimento local e tentar moderar os preços.

Ele disse que ‌o clima quente e seco prejudicou a produção ​na Europa e na Indonésia. A produção na Tailândia, o segundo maior exportador mundial, cairá porque alguns agricultores passaram a cultivar mandioca, disse Bohbot.

Ele disse que o processamento da ⁠cana sofreu atrasos devido às ​chuvas em um ​volume equivalente a cerca de 25 milhões de toneladas no Brasil. As previsões de mais chuvas ⁠em setembro sugerem que ‘o atraso atual ​pode, portanto, não ser recuperado e pode aumentar’, disse ele.

A produção de açúcar do Brasil poderá cair de 3 a 5 milhões de toneladas este ano em ​relação à safra passada, caso as chuvas continuem em outubro e novembro, disse ele.

‘Os consumidores, em grande parte, perderam a alta ​e continuam com preços ⁠abaixo do valor de mercado, enquanto os produtores estão agora muito mais bem protegidos. Após o ⁠vencimento do contrato outubro, os fundos poderiam, portanto, ter um campo relativamente aberto para os próximos meses’, disse Bohbot.

Um fator de baixa de menor importância para o mercado é a situação no Oriente Médio, disse ele, devido a uma queda esperada no consumo de açúcar na região em meio à ação ​militar. Continua depois da publicidade


 

Por: Reuters e Infomoney
Fonte: Reuters

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