Açúcar fecha em forte queda e recua para mínimas de três semanas em Nova Iorque e Londres
Os preços do açúcar encerraram a sessão desta quinta-feira (17) em forte queda nas bolsas internacionais, estendendo o movimento negativo dos últimos dias e atingindo mínimas de três semanas.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro caiu 55 pontos, encerrando o pregão a 17,42 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato dezembro recuou 154 pontos, para US$ 508,60 por tonelada.
Entregas elevadas em Londres pressionam mercado
Entre os principais fatores de pressão está o volume de açúcar entregue contra o contrato outubro em Londres, que expirou na terça-feira (15). Foram 499.350 toneladas, alta de 91% em relação às 260.750 toneladas entregues para a liquidação do contrato de outubro do ano passado.
O volume está entre os maiores já registrados para um contrato de outubro e aumentou as preocupações dos participantes do mercado sobre a demanda física pelo produto.
O posicionamento dos fundos também contribuiu para ampliar a pressão. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders (COT), os fundos elevaram em 28.055 contratos líquidos suas posições compradas em açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 8 de setembro, para 160.551 contratos, maior volume em quase três anos.
Com uma quantidade elevada de posições compradas, movimentos de realização podem intensificar as quedas quando os investidores reduzem sua exposição aos contratos futuros.
Perspectiva de déficit limita pressão sobre fundamentos
Apesar da queda recente, o cenário de oferta global continua trazendo fatores de sustentação para o mercado. Na semana passada, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit mundial de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
A produção global também deverá recuar, segundo a entidade, para 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 1% em relação à temporada anterior.
Outras estimativas apontam déficits ainda maiores. A StoneX projeta déficit de 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Covrig Analytics estima saldo negativo de 300 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas, diante de uma produção global estimada em 177 milhões de toneladas.
Tailândia e Índia permanecem no radar
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção de açúcar possa cair 17% em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas.
O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Na Índia, as condições climáticas também seguem sendo acompanhadas. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas de monção acumuladas até 16 de setembro estavam 15% abaixo da média, embora o déficit tenha diminuído em relação aos 42% registrados até o fim de junho.
A possibilidade de uma monção mais fraca mantém as preocupações sobre a produção indiana, enquanto o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro, em uma tentativa de ampliar a disponibilidade no mercado doméstico.
Brasil também influencia as expectativas
No Brasil, dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram queda de 26,3% na produção de açúcar do Centro-Sul em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
A produção brasileira e a decisão das usinas sobre a destinação da cana entre açúcar e etanol permanecem entre os principais fatores observados pelo mercado. A relação entre os preços do petróleo e do etanol também pode influenciar essa escolha e, consequentemente, a disponibilidade de açúcar para exportação.
Além disso, o desenvolvimento do El Niño mantém as atenções voltadas para o clima nas principais regiões produtoras. O fenômeno pode alterar o regime de chuvas em países importantes para a oferta mundial, entre eles Brasil, Índia e Tailândia.
As projeções, porém, ainda apresentam diferenças relevantes entre as instituições. Enquanto a ISO trabalha com uma produção global de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, o USDA estima 184,854 milhões de toneladas. O órgão norte-americano também projeta aumento de 0,4% no consumo mundial, para 179,991 milhões de toneladas, e estoques finais de 44,410 milhões de toneladas.