Açúcar devolve ganhos e recua nas bolsas de Nova Iorque e Londres
O açúcar opera em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta quarta-feira (30), devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. O mercado passa a realizar lucros após a alta de terça-feira, enquanto os participantes avaliam os fundamentos de oferta e demanda e as perspectivas para o balanço global da commodity.
Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro do açúcar em Nova Iorque era negociado a 17,53 centavos de dólar por libra-peso, com baixa de 29 pontos. O contrato março de 2027 recuava 26 pontos, para 18,58 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o contrato dezembro era negociado a US$ 505,00 por tonelada, queda de 450 pontos. Já o contrato março de 2027 recuava 390 pontos, para US$ 518,40 por tonelada.
Mercado devolve parte dos ganhos
Na sessão anterior, o açúcar fechou em alta, com Nova Iorque recuperando parte das perdas recentes e Londres atingindo a maior cotação em uma semana. O movimento havia sido sustentado principalmente por preocupações com a oferta, após a União Europeia reduzir a estimativa de produtividade da beterraba sacarina em 2026.
A unidade de Monitoramento de Recursos Agrícolas (MARS), da União Europeia, revisou a previsão de produtividade de 72,2 para 67,4 toneladas por hectare, citando condições de seca em áreas produtoras.
O fator climático segue no radar, mas, nesta quarta-feira, o mercado passa por um movimento de correção após a valorização anterior.
Oferta global continua no radar
Apesar da pressão observada nesta sessão, as perspectivas para o balanço mundial de açúcar continuam dando suporte aos preços no médio prazo.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta produção global de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 1% em relação à temporada anterior, e estima déficit de 200 mil toneladas. Para 2025/26, a entidade calcula produção recorde de 182 milhões de toneladas e superávit de 1,1 milhão de toneladas.
A Covrig Analytics prevê déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow trabalha com um déficit de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é um dos principais exportadores mundiais da commodity.
Índia e Brasil permanecem no radar
Na Índia, o acumulado das chuvas de monção estava 12% abaixo da média até 28 de setembro. Embora o quadro tenha melhorado em relação ao déficit de 42% registrado até o fim de junho, o Departamento Meteorológico do país mantém a avaliação de que a temporada pode ser uma das mais fracas dos últimos 17 anos.
O governo indiano também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa até 31 de outubro. A medida pode ampliar a oferta disponível no mercado interno e reduzir a necessidade de abastecimento por parte da produção doméstica.
No Brasil, a produção menor no Centro-Sul continua sendo um fator de atenção para o mercado internacional. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apontaram queda de 26,3% na produção de açúcar da região em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Os riscos climáticos associados ao El Niño também permanecem entre os fundamentos acompanhados pelos participantes do mercado, principalmente pelos possíveis impactos sobre as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
Demanda limita recuperação
Do lado da demanda, o mercado segue atento aos sinais de consumo físico mais fraco. A McDougall Global Views estimou que a entrega vinculada ao contrato outubro de açúcar em Nova Iorque, cujo vencimento ocorre nesta quarta-feira, pode chegar a cerca de 1,8 milhão de toneladas, acima da média dos últimos seis anos.
O volume elevado reforça as preocupações com a demanda e pode limitar a capacidade de recuperação das cotações, mesmo diante das perspectivas de déficit global na próxima temporada.
Além disso, a StoneX reduziu recentemente sua estimativa de déficit mundial de açúcar em 2026/27 de 1,7 milhão para 900 mil toneladas, acrescentando um fator de pressão ao mercado.
Assim, enquanto os fundamentos de oferta seguem dando suporte às cotações, especialmente diante dos riscos climáticos e das revisões para baixo em algumas regiões produtoras, a demanda mais fraca e a correção após a alta da véspera pesam sobre os contratos nesta quarta-feira.