Usinas de cana avançam sobre o etanol de milho para aproveitar entressafra e ampliar receitas

Publicado em 30/09/2026 15:28
Modelo permite manter estruturas industriais em operação durante todo o ano e abre novas fontes de receita com DDG e óleo de milho

Usinas produtoras de etanol de cana-de-açúcar estão ampliando o interesse pela produção de etanol de milho como estratégia para aproveitar a estrutura industrial durante a entressafra, diluir custos fixos e buscar novas fontes de receita.

O movimento ocorre porque as duas matérias-primas têm ciclos complementares. Enquanto a cana precisa ser processada logo após a colheita e concentra a atividade das usinas em determinados meses do ano, o milho pode ser armazenado e utilizado ao longo de todo o calendário, permitindo que uma unidade industrial opere também fora da safra de cana.

A tendência já aparece nos projetos em desenvolvimento no setor. A Aplus, empresa especializada em engenharia para biocombustíveis e com atuação no segmento de etanol de milho, informa que mantém atualmente dois contratos em andamento, com Atvos e Aroeira, além de outros cinco projetos em negociação.

Segundo Alessandro Salvador, sócio-fundador e diretor comercial da empresa, a complementaridade entre as duas cadeias é um dos principais fatores que explicam o interesse das usinas de cana.

Na produção de etanol de cana, o bagaço é utilizado como fonte de energia e vapor para a própria unidade industrial. O excedente pode ser comercializado como biomassa, inclusive para plantas de etanol de milho. Ao incorporar a produção de milho, a usina passa a utilizar parte da estrutura já existente durante o período em que a moagem de cana está parada.

“É uma diferença bastante significativa, que permite o melhor aproveitamento da infraestrutura administrativa; abre novas fontes de receita, com subprodutos como o DDG, usado em ração animal, e o óleo de milho, e garante uma receita mais estável ao longo do ano, com maior rentabilidade”, afirma Salvador.

Investimento menor

Além da possibilidade de ampliar o período de operação, o modelo também pode representar um investimento inferior ao necessário para construir uma nova unidade de etanol do zero, segundo a Aplus.

Salvador cita como exemplo um projeto de uma nova planta de etanol construído para um dos clientes da empresa, com investimento de aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Em seguida, uma unidade de etanol de milho foi instalada ao lado, com custo estimado em R$ 900 milhões.

A diferença, de acordo com o executivo, está relacionada ao aproveitamento de estruturas e serviços já disponíveis no complexo industrial, além da possibilidade de compartilhar áreas administrativas, laboratórios e sistemas de armazenamento.

Empresas como Cerradinho, São Martinho e Coprodia já adotam estratégias que combinam a produção de etanol a partir de diferentes matérias-primas.

Aroeira e Atvos ampliam projetos

No caso da Aroeira, o contrato firmado com a Aplus contempla o desenvolvimento do projeto de engenharia detalhado de uma unidade completa de etanol de milho, incluindo desde as obras civis até a implantação da planta industrial.

A nova estrutura será construída ao lado da unidade de cana da empresa. A proposta é que, com a expansão, o complexo possa manter atividades ao longo de todo o ano, aproveitando a disponibilidade de milho durante o período de entressafra da cana.

A Atvos também está em processo semelhante. A Aplus participa do projeto de engenharia de uma nova unidade que será instalada ao lado de uma planta já existente.

A diversificação não se limita ao etanol. A produção de milho também gera coprodutos com mercado próprio, como o DDG (grãos secos de destilaria com solúveis), utilizado principalmente na alimentação animal, e o óleo de milho.

Dessa forma, além de ampliar o período de funcionamento das instalações, o modelo permite que as usinas adicionem novas linhas de receita à operação.

A estratégia ganha espaço justamente em um setor no qual o aproveitamento da estrutura industrial é um fator importante para a rentabilidade. Ao combinar cana e milho, as empresas buscam reduzir a ociosidade durante a entressafra e utilizar de maneira mais contínua ativos como áreas administrativas, laboratórios, armazenagem e estruturas de apoio.


 

Por: Aplus
Fonte: Aplus

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