Moagem de cana do centro-sul cai pela 1ª vez no acumulado da safra por chuvas em setembro
Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 1 Out (Reuters) - A moagem de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2026/27 recuou 1,5% até 15 de setembro em relação ao mesmo período do ciclo passado, na primeira vez que o volume no acumulado na temporada ficou abaixo do ciclo 2025/26, de acordo com dados publicados nesta quinta-feira pelo Ministério da Agricultura.
As usinas processaram desde o início da safra em abril 443,71 milhões de toneladas, com os trabalhos perdendo o ritmo ao longo da temporada à medida que chuvas excessivas associadas ao El Niño afetaram as operações.
Na primeira quinzena de setembro, o impacto da umidade foi mais sentido, com a moagem despencando mais de 30% no comparativo anual, segundo os dados do ministério, fornecidos pelos produtores.
A situação ressalta os impactos climáticos para as atividades do setor no Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar e o segundo no ranking do etanol.
Diante das chuvas, consultorias reduziram em setembro projeções da moagem total em 2026/27, indicando ainda que deverá sobrar mais cana para a moagem em 2027/28.
A perspectiva para um maior volume de cana "bisada" para o ano que vem acontece em momento em que o centro-sul do Brasil entra em um período sazonalmente mais chuvoso, quando as usinas começam a sofrer mais com interrupções da moagem.
Isso fez analistas se perguntarem mais recentemente se usinas conseguiriam impulsionar a produção de açúcar na safra atual, apesar de uma melhora nos preços globais do adoçante, conforme reportagem da Reuters nesta semana.
As projeções climáticas para a primeira quinzena indicam chuvas acima da média histórica para todas as regiões de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e partes de Minas Gerais, indicando mais problemas para a moagem no período.
No começo da safra, diante da expectativa de um volume maior, a moagem teve início em ritmo mais acelerado no comparativo anual. Mas as condições climáticas ao longo do ciclo colaboraram para uma redução da vantagem do processamento no ciclo atual em relação à temporada passada.
No ciclo, usinas direcionaram mais cana para a produção do etanol, já que o biocombustível apresentou vantagem econômica ante o açúcar em boa parte do período, colaborando para uma queda de 14,4% na fabricação do adoçante no acumulado de 2026/27, para 26,07 milhões de toneladas.
Já produção total de etanol, por outro lado, avançou 8,7%, para 22,94 bilhões de litros, recebendo ainda impulso da maior fabricação do combustível do milho, segundo dados do ministério.
Nesta circunstância, os estoques disponíveis totais de etanol apresentaram alta de 4% em 15 de setembro, em relação à mesma data de 2025, para 7,28 bilhões de litros, impulsionados por uma alta de 15% nos estoques de hidratado, que compensaram a queda de 11,4% no anidro.
QUINZENA
A produção de açúcar no centro-sul do Brasil recuou 41,6% na primeira quinzena de setembro, para 2,12 milhões de toneladas, à medida que a moagem de cana-de-açúcar despencou em meio a chuvas, de acordo com dados publicados pelo Ministério da Agricultura.
A fabricação total de etanol diminuiu 27,2% para 1,72 bilhão de litros, uma queda menor do que a verificada no açúcar, já que a indústria do biocombustível de milho tem expandido a atividade.
Além disso, na safra atual 2026/27, usinas têm destinado mais cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.
A moagem de cana no centro-sul, por sua vez, caiu 34,2% na primeira quinzena de setembro em relação ao mesmo período do ano passado, para 30,16 milhões de toneladas, pois as chuvas atrapalharam as atividades de colheita e moagem.
O recuo na moagem e na produção de açúcar na quinzena ficou próximo do registrado em uma pesquisa da S&P Global Energy, publicada anteriormente.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)