Açúcar mantém força e atinge máxima de 19 meses em Nova Iorque

Publicado em 06/10/2026 16:04 e atualizado em 06/10/2026 17:27
Chuvas no Brasil, real valorizado e preocupações com a oferta global sustentam as cotações; Londres alcança maior nível em sete semanas

Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta terça-feira (6), mantendo o movimento positivo das últimas sessões. Em Nova Iorque, o contrato de referência atingiu a maior cotação em 19 meses, enquanto, em Londres, o açúcar branco alcançou o maior nível em sete semanas, sustentado principalmente pelas preocupações com a oferta brasileira e os riscos climáticos para as próximas safras.

Em Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 fechou em alta de 9 pontos, a 20,82 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro disparou 890 pontos, encerrando a sessão a US$ 556,50 por tonelada.

Chuvas limitam moagem no Brasil

As chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil continuam entre os principais fatores de suporte ao mercado. A região é responsável pela maior parte da produção brasileira de cana-de-açúcar, e o excesso de umidade tem atrasado a colheita e interrompido a moagem em algumas usinas.

A redução no ritmo das operações limita a oferta de açúcar no curto prazo e aumenta a atenção dos investidores para os próximos dados de moagem.

Os números mais recentes já mostram uma queda expressiva na produção. Na primeira quinzena de setembro, a fabricação de açúcar no Centro-Sul recuou 41,6%, para 2,12 milhões de toneladas, enquanto a moagem de cana caiu 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas.

No acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, a produção de açúcar chegou a 26,07 milhões de toneladas, queda de 14,4% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Real valorizado reduz incentivo às exportações

Outro fator que contribuiu para a sustentação dos preços foi o comportamento do câmbio.

O real atingiu na terça-feira a maior cotação em cerca de quatro meses e meio frente ao dólar, reduzindo a atratividade das exportações brasileiras de açúcar.

Como o Brasil é o maior exportador mundial da commodity, um real mais valorizado tende a diminuir a remuneração das vendas externas e pode limitar a oferta brasileira no mercado internacional.

Déficit global entra no radar

Além dos fatores brasileiros, as perspectivas para o balanço global continuam dando suporte às cotações.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas para 2025/26.

A entidade prevê queda de 1% na produção mundial na próxima temporada, para 180,1 milhões de toneladas.

Outras consultorias também apontam para um mercado mais apertado. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

A Czarnikow também prevê queda de 0,7% na produção mundial na temporada 2027/28, para 177 milhões de toneladas, citando problemas climáticos em importantes regiões produtoras e o maior direcionamento da cana brasileira para o etanol.

El Niño aumenta riscos para a produção

As preocupações com o clima também permanecem no radar dos investidores. Um El Niño de forte intensidade pode reduzir as chuvas em Brasil, Índia e Tailândia, três dos principais polos produtores de açúcar do mundo.

O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos avaliou que o fenômeno observado no Pacífico equatorial poderia estar entre os eventos mais fortes registrados em mais de 75 anos.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. projeta queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial.

Índia registra monções abaixo da média

Na Índia, segundo maior produtor mundial, o acumulado das chuvas de monção ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos, segundo o Departamento Meteorológico do país.

O governo indiano autorizou ainda a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro, diante das preocupações com o abastecimento.

Apesar disso, o USDA prevê um superávit de 2,5 milhões de toneladas no mercado indiano em 2026/27, após dois anos sem excedente.
Mercado ainda convive com oferta elevada

Apesar da forte valorização observada nas últimas sessões, o mercado ainda considera a oferta elevada prevista para a temporada 2025/26.
A ISO estima produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas, alta de 3,5% em relação ao ciclo anterior, com superávit global de 1,1 milhão de toneladas.

Para 2026/27, porém, a expectativa é de redução da produção e retorno do mercado a um déficit.
 

Fonte: Notícias Agrícolas

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