Açúcar despenca nas bolsas após máximas e realização de lucros pressiona mercado
Os preços do açúcar fecharam em forte queda nesta quinta-feira (8) nas bolsas de Nova Iorque e Londres, em um movimento de realização de lucros após a forte valorização acumulada nas últimas duas semanas. Na sessão anterior, os contratos haviam renovado máximas importantes, com Nova Iorque atingindo o maior nível em 19 meses e Londres chegando à maior cotação em 22 meses.
O contrato de açúcar a março/227, em Nova Iorque, fechou em 20,15 centavos de dólar por libra-peso, queda de 68 pontos, ou 3,26%. Em Londres, o açúcar para dezembro terminou a sessão em US$ 541,10 por tonelada, recuo de 146 pontos, ou 2,63%.
A queda foi puxada principalmente pela realização de lucros por parte dos fundos, depois da sequência de altas que levou os contratos aos maiores níveis em mais de um ano. A valorização do dólar também contribuiu para pressionar as cotações.
Máximas da véspera dão lugar à realização de lucros
Na quarta-feira (7), o açúcar em Nova Iorque chegou à maior cotação em 19 meses, enquanto o contrato em Londres alcançou o maior nível em 22 meses.
O movimento de alta havia sido sustentado principalmente pelas preocupações com a oferta global e pelas condições climáticas no Brasil. As chuvas persistentes no Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país, vêm atrasando a colheita e interrompendo a moagem em algumas usinas.
Com a forte valorização acumulada, os fundos aproveitaram a sessão desta quinta-feira para reduzir posições e realizar parte dos ganhos, provocando uma correção mais intensa nos contratos.
Oferta global continua no radar
Apesar da queda desta quinta-feira, os fundamentos de oferta seguem oferecendo suporte ao mercado.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta um déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção possa cair 17% em 2026/27, para cerca de 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
A Covrig Analytics também passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas para 2026/27, revertendo a estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow prevê um déficit de 2,9 milhões de toneladas, enquanto a produção mundial deve recuar 0,7%, para 177 milhões de toneladas. A consultoria aponta problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia entre os principais fatores para a redução da oferta.
El Niño aumenta preocupação com produção
Os riscos climáticos também permanecem no radar dos participantes do mercado. Um El Niño de forte intensidade pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o fenômeno observado no Pacífico equatorial pode estar entre os mais fortes dos últimos 75 anos, aumentando a preocupação com possíveis impactos sobre as lavouras.
Na Índia, as chuvas acumuladas durante a temporada de monções ficaram 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos, segundo o Departamento Meteorológico do país.
Diante das preocupações com a oferta doméstica, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro. A medida chama atenção porque a Índia normalmente é um importante exportador mundial.
Brasil mantém atenção sobre oferta
No Brasil, os dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também reforçam o cenário de menor disponibilidade. A produção de açúcar do Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
O cenário de chuvas no Centro-Sul, associado às interrupções na moagem, mantém as preocupações sobre o ritmo de produção e a disponibilidade de açúcar brasileiro.
O USDA também reduziu a estimativa para a produção brasileira em 2026/27, de 42,5 milhões para 42,2 milhões de toneladas. Para a Índia, a projeção foi reduzida de 33,6 milhões para 29,5 milhões de toneladas.
Para a temporada 2026/27, a ISO estima produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior, e déficit de 200 mil toneladas.
Já em 2025/26, a entidade projeta produção recorde de 182 milhões de toneladas, alta de 3,5%, com superávit global de 1,1 milhão de toneladas.