Açúcar sobe nas bolsas e volta a se aproximar das máximas recentes com temor de déficit global
Os preços do açúcar fecharam em alta nesta quinta-feira (15), recuperando parte das perdas da sessão anterior e voltando a se aproximar das máximas recentes. As cotações encontram suporte nas preocupações com a oferta global, nos riscos climáticos associados ao El Niño e nas perspectivas de déficit mundial na safra 2026/27.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto para março de 2027 avançou 29 pontos e encerrou o pregão a 21,13 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 620 pontos, equivalente a US$ 6,20 por tonelada, e fechou a US$ 561,10 por tonelada.
Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 19 meses, enquanto o contrato em Londres chegou ao maior nível em 22 meses. Na ocasião, as chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil atrasaram a colheita da cana-de-açúcar e interromperam a moagem nas usinas, restringindo a oferta no curto prazo.
El Niño aumenta preocupação com a produção
Os riscos climáticos seguem entre os principais fatores acompanhados pelos investidores. A Agência Meteorológica do Japão informou que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima da média em setembro, o maior nível registrado desde 1949. A instituição prevê 100% de probabilidade de que o El Niño persista durante o inverno do Hemisfério Norte e continue atuando até o primeiro trimestre de 2027.
O fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos também alertou para a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos em mais de 75 anos, elevando os riscos de períodos de seca, chuvas excessivas e oscilações de temperatura.
Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, segundo o Departamento Meteorológico do país. Foi o menor índice em 11 anos. Em agosto, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro, em uma medida voltada ao abastecimento interno.
Projeções apontam déficit global
As estimativas de oferta e demanda também dão sustentação às cotações. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Para a próxima temporada, a entidade prevê queda de 1% na produção mundial, para 180,1 milhões de toneladas, citando possíveis impactos do El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia.
Outras consultorias também projetam um balanço global mais apertado. Em agosto, a StoneX elevou sua estimativa de déficit mundial para 1,7 milhão de toneladas em 2026/27. Já a Covrig Analytics passou a estimar déficit de 300 mil toneladas, revertendo a projeção anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Czarnikow, por sua vez, prevê déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, com produção mundial de açúcar estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% na comparação anual. Entre os fatores considerados estão os desafios climáticos em países produtores e a possibilidade de maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.
Brasil segue no centro das atenções
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, as condições de colheita e moagem continuam influenciando as expectativas de oferta. As chuvas persistentes no Centro-Sul provocaram atrasos nas operações das usinas, enquanto dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também projeta redução na produção brasileira em 2026/27. Segundo o Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS), a safra do país deve somar 42,2 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação ao ciclo anterior.
Para a Índia, o USDA estima produção de 29,5 milhões de toneladas, recuo de 1,7%. Na Tailândia, a projeção é de 9,5 milhões de toneladas, queda de 15,6%.
Apesar da recuperação desta quinta-feira, o mercado segue sujeito a oscilações diante das mudanças no cenário financeiro e das incertezas sobre a produção. Os investidores continuam acompanhando a evolução do clima, o ritmo da moagem no Brasil e as perspectivas para o balanço mundial de açúcar.