Açúcar cai mais de 1% em Nova Iorque e Londres após Índia suspender compras de etanol de cana
Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (19), pressionados pela decisão do governo da Índia de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a fabricação de açúcar e ampliar a oferta global do adoçante.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 0,28 centavo de dólar por libra-peso, encerrando o pregão a 20,57 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro caiu US$ 8,10 por tonelada, uma desvalorização de 1,46%, e fechou cotado a US$ 564,82 por tonelada.
Clima no Brasil também pressiona as cotações
O mercado também reagiu à previsão no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de açúcar do país. A expectativa é de que as condições favoreçam o avanço da colheita da cana e a retomada da moagem nas usinas, aumentando a disponibilidade do produto.
Nas últimas semanas, as chuvas persistentes na região haviam atrasado os trabalhos no campo e interrompido a moagem em algumas unidades, restringindo a oferta e contribuindo para a valorização dos contratos futuros. O açúcar em Nova Iorque atingiu a máxima em 19 meses na quarta-feira passada, enquanto Londres chegou ao maior patamar em 22 meses em 7 de outubro.
O posicionamento dos investidores também está no radar. Segundo o relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT), os fundos de commodities aumentaram em 16.184 contratos sua posição comprada líquida no açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 13 de outubro, para 228.743 contratos — o maior volume em mais de cinco anos.
Uma posição comprada elevada pode ampliar a pressão sobre os preços caso os investidores decidam liquidar contratos para realizar lucros ou reduzir sua exposição ao mercado.