Açúcar reage nas bolsas após projeção de déficit global saltar para 6,3 milhões de toneladas
Os preços do açúcar fecharam em direções mistas nas bolsas internacionais nesta terça-feira (20). Em Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 5 pontos, para 20,52 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu US$ 3,00 por tonelada, encerrando o pregão a US$ 547,10 por tonelada.
Durante a sessão, as cotações se recuperaram das mínimas de uma semana, apoiadas pela revisão das estimativas de oferta e demanda global. A consultoria Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 de 3,2 milhões para 6,3 milhões de toneladas, o maior saldo negativo estimado em quatro anos.
Segundo a consultoria, a revisão considera os possíveis impactos do El Niño sobre a produção brasileira e a temporada de monções mais fraca na Índia. A perspectiva de menor disponibilidade estimulou a cobertura de posições vendidas, movimento em que investidores recompram contratos para encerrar apostas na queda dos preços.
Clima no Brasil e decisão da Índia limitam recuperação
Apesar do suporte das projeções de déficit, o mercado continuou pressionado pela expectativa de tempo quente e seco nesta semana no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de açúcar do país. A previsão é de que as condições favoreçam o avanço da colheita da cana-de-açúcar e a retomada da moagem nas usinas, aumentando a oferta do adoçante.
Na segunda-feira, os preços também reagiram à decisão do governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a produção de açúcar e ampliar a disponibilidade do produto no mercado.
Outro fator de atenção é o posicionamento dos fundos de investimento. Dados do relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) mostraram que, na semana encerrada em 13 de outubro, os fundos elevaram em 16.184 contratos sua posição comprada líquida no açúcar em Nova Iorque, para 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos. Esse volume pode ampliar a pressão sobre as cotações caso os investidores decidam liquidar posições.
El Niño mantém riscos para a oferta global
As perspectivas climáticas seguem no radar dos agentes do mercado. A Agência Meteorológica do Japão informou que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima do normal em setembro e prevê a continuidade do El Niño até o primeiro trimestre de 2027.
O fenômeno pode alterar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, embora os efeitos dependam da intensidade e da distribuição das condições climáticas em cada país.
Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média, o menor índice em 11 anos. O país é o segundo maior produtor mundial de açúcar, e a redução das chuvas aumenta a preocupação com a produção.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) também projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na safra anterior. Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp prevê queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.