Açúcar cai pelo quarto dia em Nova Iorque com pressão de fundos e expectativa de maior oferta

Publicado em 21/10/2026 16:14 e atualizado em 21/10/2026 17:20
Perspectiva de tempo seco no Centro-Sul do Brasil e mudança na política indiana para o etanol reforçam a pressão sobre as cotações, apesar dos riscos de déficit global na próxima safra

Os preços do açúcar fecharam em queda nesta quarta-feira (21) nas bolsas internacionais, com o contrato de março em Nova Iorque acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas. As cotações seguem pressionadas pela liquidação de posições compradas por fundos de investimento, além das perspectivas de aumento da oferta com a melhora do clima no Brasil e a mudança na política de uso do etanol na Índia.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 7 pontos, a 20,45 cents  por libra-peso, baixa de 0,34%. Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro caiu  340 pontos, US$ 543,70 por tonelada, equivalente a 0,62%.

Fundos ampliam pressão sobre os preços

O movimento de baixa ocorre após a forte valorização registrada no último mês. O contrato de março em Nova Iorque atingiu a máxima em 19 meses na quarta-feira passada, enquanto o açúcar branco em Londres alcançou o maior nível em 22 meses em 7 de outubro.

Desde então, a realização de lucros ganhou força. Segundo o relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT), os fundos de commodities elevaram em 16.184 contratos sua posição comprada líquida no açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 13 de outubro, para 228.743 contratos, o maior volume em mais de cinco anos.

O elevado volume de posições compradas aumenta a possibilidade de novas vendas caso os investidores decidam reduzir sua exposição ao mercado.

Clima no Brasil e decisão da Índia aumentam expectativa de oferta

Outro fator de pressão é a previsão de tempo quente e seco nesta semana no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de açúcar do país. A expectativa é de que as condições favoreçam o avanço da colheita da cana-de-açúcar e a retomada da moagem nas usinas, ampliando a disponibilidade do adoçante.

A decisão do governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido com cana também contribui para o cenário de maior oferta potencial de açúcar. A medida pode alterar a destinação da matéria-prima no país e aumentar o volume disponível para a fabricação do adoçante.

Riscos climáticos mantêm atenção sobre a safra global

Apesar da pressão no curto prazo, as perspectivas para a produção mundial seguem sujeitas a riscos climáticos. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

O El Niño é um dos principais pontos de atenção. A Agência Meteorológica do Japão indicou temperaturas da superfície do Pacífico tropical cerca de 4°C acima do normal em setembro e prevê a continuidade do fenômeno até o primeiro trimestre de 2027. Alterações nos padrões de chuva podem afetar importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, embora os impactos dependam da intensidade e da distribuição das condições climáticas.

Na Índia, o volume de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média, o menor índice em 11 anos. O país, segundo maior produtor mundial de açúcar, também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro, em uma medida voltada ao abastecimento doméstico.

Já a Thai Sugar Millers Corp projeta uma queda de 17% na produção tailandesa em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.

Assim, enquanto a expectativa de maior disponibilidade no Brasil e as mudanças na política indiana pesam sobre as cotações, os riscos climáticos e a perspectiva de déficit global continuam no radar dos investidores.

Fonte: Notícias Agrícolas

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