Açúcar cai nas bolsas e Nova Iorque registra menor cotação em duas semanas

Publicado em 22/10/2026 15:57
Liquidação de posições compradas e retomada da colheita no Brasil pressionam as cotações; Índia prorroga isenção de impostos para importação e pode ampliar a demanda internacional

Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (22), com o contrato de março em Nova Iorque atingindo a menor cotação em duas semanas. O mercado segue pressionado pela liquidação de posições compradas por investidores, após os contratos alcançarem máximas recentes, além da melhora das condições climáticas no Centro-Sul do Brasil, que favorece a retomada da colheita da cana-de-açúcar.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 0,32 centavo de dólar por libra-peso, encerrando a sessão a 21,13 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro caiu US$ 9,80 por tonelada, para US$ 533,90 por tonelada.

Fundos mantêm pressão sobre as cotações

O elevado volume de posições compradas dos fundos de commodities continua no radar dos investidores. Segundo o relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT), os fundos ampliaram em 16.184 contratos sua posição comprada líquida no açúcar em Nova Iorque na semana encerrada em 13 de outubro, para 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos.

Esse posicionamento pode intensificar as quedas caso os investidores continuem liquidando contratos para realizar lucros, especialmente depois da forte valorização registrada no último mês. O açúcar em Nova Iorque atingiu a máxima em 19 meses na quarta-feira da semana passada, enquanto Londres chegou ao maior patamar em 22 meses em 7 de outubro.

A pressão também está relacionada à recuperação das atividades no campo no Brasil. As chuvas recentes no Centro-Sul haviam atrasado a colheita e interrompido a moagem em usinas, restringindo a oferta. Com a melhora do tempo, a expectativa de retomada dos trabalhos aumenta a perspectiva de disponibilidade de açúcar no mercado.

Índia prorroga isenção para importações

Na contramão do movimento de baixa, a Índia anunciou nesta quinta-feira a prorrogação, de 31 de outubro para 31 de dezembro, do prazo para importação de açúcar com isenção de impostos. A medida pode favorecer a demanda indiana pelo produto no mercado internacional.

A decisão ocorre em um momento de atenção ao abastecimento do país, segundo maior produtor mundial de açúcar. Em agosto, o governo indiano já havia autorizado a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos.

Por outro lado, o mercado ainda reage à decisão anunciada no início da semana pelo governo indiano de determinar que distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A mudança pode levar a um direcionamento maior da matéria-prima para a produção de açúcar, ampliando a oferta.

Déficit global segue no radar

Apesar da pressão recente, as projeções de oferta mundial continuam dando suporte às cotações. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A Covrig Analytics também prevê déficit de 300 mil toneladas em 2026/27. Para a safra 2027/28, a Czarnikow projeta saldo negativo de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior. Entre os fatores apontados estão os riscos climáticos na Índia, na União Europeia e na Tailândia, além da possibilidade de usinas brasileiras destinarem mais cana à produção de etanol.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp estima que a produção de açúcar em 2026/27 possa cair 17%, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial do produto.

As condições climáticas também seguem como fator de atenção. A Agência Meteorológica do Japão prevê a continuidade do El Niño até o primeiro trimestre de 2027. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando as incertezas sobre a oferta global.

No Brasil, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica). A recuperação da colheita e da moagem, porém, pode ampliar a disponibilidade do produto no curto prazo e manter a pressão sobre os preços.


 

Fonte: Notícias Agrícolas

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