Cana: Máquina de carregar, a grande revolução dos anos 60

Publicado em 01/02/2010 06:57 1391 exibições
Na época dele, fim dos anos 50, cortador de cana era aquele que morava na fazenda, muitas vezes trabalhava desde criança e ia para casa na hora do almoço. Luiz Antônio Lazarim, hoje com 63 anos, lidou com canavial entre os 11 e os 16 anos. Seu pai era trabalhador da usina Costa Pinto, a primeira construída pela família Ometto, em meados da década de 30. Depois foi trabalhar no escritório da indústria como auxiliar, chegou ao departamento pessoal e formou-se advogado. Assumiu a função na empresa, até que entrou na magistratura e atualmente é desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª região.

Mas, o fato, relembra ele, é que eram outros tempos. Não tinha queima de canavial. O mesmo cortador que colhia a cana, também classificava e transportava a matéria-prima em uma época em que as escalas de uma usina eram diferentes. A primeira mudança, relata, ocorreu na década de 60, quando uma máquina de carregar a cana foi inserida na lavoura. "Isso trouxe uma mudança radical, pois o cortador passou apenas a cortar e isso trouxe possibilidade ganhos de escala às usinas", conta.

A queima do canavial foi inserida no processo para eliminar a folhagem e possibilitar ao cortador mais agilidade. O maquinário da indústria foi se aperfeiçoando, as escalas aumentando, e as casas onde os antigos cortadores moravam tiveram que abrir espaço a mais canaviais.

De lá pra cá, a história já é mais conhecida. Mas, apesar da mecanização em curso em todo o país, há regiões que ainda continuarão usando mão-de-obra no corte da cana. Na região Nordeste, por exemplo, se as pesquisas em curso avançarem será possível mecanizar 30% do corte em cinco anos, espera Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco. O percentual atual é de 15% para uma área de 1 milhão de hectares e que emprega no corte manual 330 mil cortadores.

Subsidiado por um fundo privado, bancado por onze usinas e que deve reunir aproximadamente R$ 2 milhões, as pesquisas hoje focam em duas colheitadeiras adaptadas para regiões íngremes - uma trazida da África do Sul e outra, da China. As máquinas prometem um avanço sem igual nos canaviais nordestinos. Estão cortando de 15 a 20 toneladas por ano, enquanto por dia o corte manual rende 3 toneladas por pessoa.
Fonte:
Valor Econômico

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