Preço do açúcar dispara e puxa alta na inflação

Publicado em 25/03/2010 08:26 532 exibições
O cardápio é simples, mas os gastos sacrificam o bolso das famílias logo no café da manhã. E quem está deixando o sabor do desjejum amargo é o açúcar. Somente nos últimos 30 dias, o produto refinado ficou 10,26% mais caro e o cristal, 8,06%, conforme a pesquisa do IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado dos últimos 12 meses, as variações assustam: o açúcar refinado encareceu 54,91% e o cristal, 48,13%. Em Belo Horizonte, dos tradicionais itens que compõem a refeição – café com leite acompanhado de pão com manteiga – todos registram alta este mês, mas o açúcar saiu na frente. A alta do cristal já chegou a 7,11% no período de 30 dias terminado na segunda semana de março, mais de seis vezes acima da variação de 1,13% da inflação, medida pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG.

Os preços já vêm subindo desde o ano passado e atingiram, entre janeiro de 2009 e o mês passado, 108,67% de aumento no varejo da capital mineira, percentual impensável em tempos de economia estabilizada. Por trás desse comportamento surpreendente, está a forte especulação com os preços do açúcar no mundo, que está pesando como nunca nas despesas dos brasileiros. O produto é uma das principais commodities – mercadorias agrícolas com cotações no mercado internacional – e atraem com melhor remuneração os produtores do Brasil, primeiro no ranking mundial do setor.

Nem mesmo as projeções de crescimento expressivo para as safras de cana-de-açúcar da Índia, o segundo maior produtor global, e do Brasil foram suficientes para reverter o aumento. A estimativa é de que haja uma sobra de 5 milhões de toneladas do produto ao longo deste ano. A expectativa de crescimento da produção indiana, que pode afetar diretamente as exportações brasileiras para o país, tem condições de frear os reajustes consecutivos. Em janeiro, o açúcar atingiu US$ 700 a tonelada no mercado externo, mas nos últimos 40 dias o preço do produto despencou para US$ 370.

Segundo o economista e superintendente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, a queda de preços ainda não chegou ao consumidor, mas a tendência é que o mercado interno acompanhe o movimento descendente no mercado internacional, aliviando o orçamento apertado. O superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, também não acredita na continuidade da aceleração dos preços. “O açúcar já chegou ao seu limite, mesmo porque o consumo do produto caiu em todo o país, como sempre ocorre quando há altas expressivas.”, afirma.

Em fevereiro, só o pó de café escapou da surpreende alta que atingiu os itens do café da manhã em BH. Enquanto a inflação do mês foi de 0,61%, a primeira refeição do dia encareceu até 11,8 vezes acima da variação do custo de vida. Já os preços do açúcar cristal subiram, em média, 7,21% no mês passado, o campeão dos aumentos – quase 12 vezes acima da inflação. Somente no primeiro bimestre deste ano, o derivado da cana-de-açúcar acumulou alta de 25,42%. “Deu para sentir a diferença. O pacote de cinco quilos que antes custava R$ 6,90 passou para R$ 9,90”, reclama o físico José Lúcio Terra. Ele afirma que outro produto que já mostra sinais de alta é o leite. “Há dois meses a caixinha custava R$ 1,38, alguns supermercados já estão vendendo por R$ 1,78”, alerta.

Em fevereiro, só o pó de café escapou da corrida dos preços do café da manhã em BH, frente a inflação de 0,61%, com base no IPCA, retrato dos gastos das famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Seguindo a aceleração dos preços, a manteiga ficou 2,85% mais cara, pouco menos de cinco vezes a alta do IPCA de fevereiro, enquanto o pãozinho de sal de 50 gramas exibiu preços 1,94%, em média, superiores aos de janeiro. Na mesma base de comparação, o preço do leite evoluiu 1,08%. Para o café, houve um ligeiro aumento de 0,2% e a bebida foi a que menos contribuiu para a carestia, mantendo-se praticamente estável.
Fonte:
Uai

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