Cana de açúcar: seca no Centro-Sul impactará mais que chuva no NE

Publicado em 25/06/2010 13:30 406 exibições
A estiagem neste primeiro semestre na região produtora de cana-de-açúcar do Centro-Sul, que representa quase 90% da produção nacional da cultura, preocupa mais o setor sucroalcooleiro que as possíveis perdas nas lavouras de cana-de-açúcar com enchentes na região da Zona da Mata de Pernambuco e de Alagoas.

As primeiras estimativas apontam para uma quebra de até 5% na safra nordestina após as chuvas do último final de semana, o que representaria cerca de 3 milhões de toneladas das 60 milhões de toneladas previstas para serem colhidas na região. Além de a redução ser considerada pouco significativa - corresponde a pouco mais de um dia de moagem de cana nas usinas do Centro-Sul - o comprometimento material de unidades produtoras será minimizado pelo fato de a região ter uma capacidade de moagem acima da oferta.

Assim, a moagem da safra que aconteceria em unidades hoje comprometidas será atendida por outras usinas. A safra começa no segundo semestre. Já no Centro-Sul, que deve moer entre 590 milhões e 600 milhões de t de cana-de-açúcar, cerca de 20% da área com a cultura corre o risco de ter perdas de produtividade. "Essa área, capaz de gerar 120 milhões de t de cana, foi colhida a partir de outubro do ano passado com chuva e com máquina e a cana (que rebrota para ser colhida no mesmo período da atual safra) foi muito pisoteada, prejudicada", disse o diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues.

"Com a estiagem ocorrida agora, o desenvolvimento da planta será ainda mais prejudicado, ou seja, a perda será certa", completou. O executivo, no entanto, ainda não sabe avaliar qual será o impacto na produtividade e no volume dessa cana a ser colhida a partir de outubro, pois, entre outros fatores, é preciso avaliar a extensão da estiagem.

Outro fator que pode ser verificado com a estiagem é o avanço mais rápido na colheita da cana no Centro-Sul, o que pode fazer com que toda a oferta da matéria-prima seja processada durante o período de safra, o que evitará a moagem durante a entressafra, entre janeiro e março de 2011. Nas duas últimas safras, usinas aproveitaram a oferta de cana e moeram na entressafra.

Fonte:
Brasil Agro

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