Preço do açúcar permanece em alta

Publicado em 13/09/2010 07:32
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Ainda há possibilidade de quebra de safra; seca na região Centro-Sul, maior produtora do País, reduz expectativas de produção.
O preço do açúcar começou o mês de setembro em alta firme, exatamente como os últimos dias de agosto. Até a última quinta-feira, quando a saca estava calculada em R$ 51,10, era registrada alta acumulada de 3,44%. Em agosto a alta acumulada foi de 14,59%, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP). O levantamento é elaborado com base nos preços de São Paulo, que serve como referência para o mercado nacional.

Conforme a equipe de análise do açúcar do Cepea, de fato os números não identificam grande liquidez no mercado paulista de açúcar, mas a demanda, ainda que moderada, se sobressai e quem precisa da commodity acaba pagando valores reajustados.

Análises de mercado já começam a destacar a possibilidade de quebra da safra mundial corrente comparativamente às previsões iniciais, o que vem sugerindo que a oferta cresça menos do que a demanda. Os preços firmes do etanol no mercado paulista também têm estimulado a produção desse combustível por ter maior liquidez. Para usinas brasileiras, o ritmo mais acelerado dos embarques de açúcar e as cotações favoráveis à exportação contribuem para o alívio de caixa e as torna mais firmes em suas ofertas de venda.

Em São Paulo, apontam os analistas após aumento de 14,6% em agosto, o Indicador do Açúcar Cristal Cepea/Esalq já acumula alta de 3,44%. Em agosto, a média mensal do Indicador Cepea/Esalq foi de R$ 46,42/sc, alta de 13,5% sobre a de julho. Comparando-se a média atual com a de agosto/09 (R$ 45,43) houve aumento nominal de 2,17%.

Cálculos do Cepea sobre as paridades entre os preços do açúcar cristal e do etanol no estado de São Paulo mostram que o primeiro remunerou 51% a mais que o anidro na última semana e 72% a mais que hidratado.

Segundo a consultoria Kingsman, a Índia deve assumir uma posição exportadora neste ano, após importar a commodity por dois anos consecutivos devido a deficit local. O otimismo sobre os preços internacionais deve levar a Índia a exportar entre 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas de açúcar em 2010/11, visando lucros com altas de preços provocadas pela incerteza de produção em diversos países, devido a condições climáticas adversas. Dentre esses, inclui-se o Brasil, maior produtor e exportador mundial de açúcar.

A região Centro-Sul, responsável pelo maior volume de cana produzido no País vem passando por longos períodos de estiagem (desde abril), levando instituições que acompanham a evolução da safra, como a Unica, a reduzir suas expectativas de produção. Além do Brasil, Tailândia e Paquistão também vêm apresentando recuo nas previsões de produção. A Tailândia é o principal exportador de açúcar da Ásia.
Fonte: Folha de Londrina

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