Estiagem faz setor revisar produção de cana

Publicado em 24/09/2010 07:24 e atualizado em 24/09/2010 09:13
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Se o período de seca perdurar, a expectativa de moagem para esse ano poderá sofrer nova redução.
O setor sucroenergético revisou este mês a previsão de produção de cana-de-açúcar para este ano. No início da temporada, a expectativa de moagem era de 590 milhões de toneladas para a região Centro-Sul, onde se concentram os principais estados produtores. No momento, a estimativa está em 570 milhões de toneladas. O Paraná, terceiro maior produtor do País, deverá colher perto de 47 milhões de toneladas. ''Por causa da redução hídrica se essa seca perdurar a expectativa pode sofrer redução ainda maior'', afirma Adriano Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).

Apesar de a seca estar prejudicando o volume de cana colhida por hectare, 2010 tem sido um ano bom para o setor no que diz respeito ao mercado de etanol, por exemplo. ''Se por um lado a produção está sofrendo redução, o preço pago por litro de etanol tem aumentado em plena safra'', pontua Dias. É a velha lei da oferta e da procura que tem ajudado na recuperação do preço do litro de etanol. Este ano, no auge da safra, o preço do litro do produto tem sido vendido pelas usinas por R$ 0,86.

No ano passado, segundo Dias, neste mesmo período, o valor era de R$ 0,70, mas a quantidade de produto era maior. Por enquanto, a redução de produção de cana por conta da estiagem não deve prejudicar o abastecimento do setor de combustíveis.

Embora o clima não esteja muito favorável este ano para a produção de cana, o setor sucroenergético tem crescido entre 10% e 15% ao ano, nos últimos 15 anos. ''A ideia é manter esse ritmo para atender a demanda crescente'', destaca Dias. No caso do etanol, por exemplo, essa demanda vem da indústria automobilística. Dias lembra que atualmente perto de 90% dos novos veículos saem de fábrica com a tecnologia flex.

Atualmente, 50% da moagem de cana é destinada à produção de etanol e 50% à de açúcar. O superintendente da Alcopar observa que nos últimos dois anos a produção de açúcar tem crescido no País em relação ao etanol porque o produto tem se mostrado mais vantajoso comercialmente. Segundo ele, o etanol ainda não é uma commodity, a maior parte da produção fica no Brasil, apenas 18% segue para exportação. Já o açúcar tem quase 80% da produção exportada.

Estiagem

O tempo mais seco também mudou a rotina de queima de cana no Paraná. Conforme o presidente da Alcopar, Miguel Tranin, devido à baixa umidade do ar, ao invés de começar às 17 horas, agora começa às 3 horas da madrugada. Esse horário deve se manter enquanto não houver regularidade de chuva.
Fonte: Folha de Londrina

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