Índia volta a exportar açúcar em 2010/11

Publicado em 20/10/2010 07:42 e atualizado em 20/10/2010 17:02
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O governo indiano divulgou ontem, em evento em São Paulo, uma estimativa conservadora para a produção de açúcar do país na safra 2010/11, que por lá começou oficialmente em 1º de outubro. Presente em conferência da consultoria Datagro, a secretária do Departamento de Alimentação e Distribuição Pública da Índia, Alka Sirohi, anunciou que a previsão oficial é que o país produzirá 24,5 milhões de toneladas de açúcar até fim de setembro do ano que vem, o que representará um aumento de 30% em relação ao total na safra anterior (18,8 milhões de toneladas).

A previsão oficial, considerada conservadora por analistas e empresários, considera um processamento de 324,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e uma área cultivada de 4,86 milhões de hectares. A secretária indiana prevê um excedente exportável, uma vez que o consumo indiano esta previsto em 22,5 milhões de toneladas, mas não arrisca volumes e nem quando as exportações ocorrerão. "O governo vai definir esses volumes e quando eles serão autorizados ao longo da safra, conforme ela for evoluindo", disse Alka.

Já a Datagro prevê que a produção de açúcar na Índia será de 25,5 milhões de toneladas, 1 milhão de toneladas a mais do que a estimativa do governo indiano Há projeções do mercado que enxergam a produção na Índia pelo menos 2 milhões de toneladas maior que a previsão oficial. É o caso da estimativa da consultoria F.O. Licht. Seu diretor, Stefan Uhlenbrock, prevê produção de 26,2 milhões de toneladas no país, com um excedente exportável de 3 milhões de toneladas que devem ser escoadas até setembro de 2011. "A produção global vai aumentar em 11,9 milhões de toneladas de açúcar, mas as quebras de safras no mundo por problemas climáticos manterão o superávit menor do que o esperado", diz Uhlenbrock.

Ele prevê que a China vai ampliar suas importações de 1 milhão para 2 milhões de toneladas em 2010/11 por causa da estiagem que atingiu 70% de sua produção de açúcar. Também estima que as inundações no Paquistão farão com que o pais tenha que importar em torno de 1 milhão de toneladas. "E a Rússia também vai continuar importando volumes significativos", afirma.

Para Uhlenbrock, se houver mais revisões para baixo nas produções mundiais, os preços podem chegar a um novo pico. "Estamos patinando em gelo fino e ele pode quebrar. É bom que saibamos nadar em águas geladas", alerta Uhlenbrock. Ontem, em Nova York, os contratos para maio fecharam a 25,47 centavos de dólar, alta de 57 pontos. Ele observa, porém, que a redução da produção mundial na safra 2010/11 foi causada por problemas climáticos, e não por uma redução de apostas.. Com preços atraentes, diz , a produção continuará a crescer e um novo recorde poderá ser alcançado na safra 2011/12.
Fonte: Valor Econômico

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