Preços do trigo permanecem sem variações nesta última semana de março

Publicado em 01/04/2011 17:11 697 exibições

A semana foi novamente de pouca ou nenhuma alteração nos preços médios do trigo nas principais praças de comercialização, exceto por importantes modificações no Estado de São Paulo que culminaram com uma alta expressiva de 3,3%, mas que acaba tendo influência limitada pelo baixíssimo volume de produto ainda disponível no estado.
 
No Paraná algumas movimentações no mercado de lotes também começaram a surgir, com ofertas mais caras por parte dos produtores, mas com alta consolidada de somente 1%, chegando o preço médio a R$ 520,00/ton esta semana contra R$ 515,00/ton da semana anterior.
 
Diante destas modificações ainda tímidas o que vale ressaltar são dois pontos cruciais que se confirmaram ou foram sinalizados esta semana e que abrem um bom potencial para o trigo brasileiro. O primeiro refere-se ao fato de que é consenso entre os moinhos que as negociações ficarão mais ativas a partir deste mês pela necessidade de reposição dos estoques, o que significa que chegou o momento em que o produtor terá maior força na negociação, pois quanto menor a oferta e maior a procura, quem vende sempre acaba tendo maior vantagem. Além disso, o USDA confirmou ontem que espera uma escalada cada vez maior dos preços do milho, o que nem mesmo uma safra muito boa nos Estados Unidos deve evitar, uma vez que considerando uma produtividade 5,8% superior ao da safra 2010/11 e o plantio da segunda maior área em mais de 60 anos, a relação estoques/consumo ainda deve chegar ao final da temporada 2011/12 no terceiro menor nível histórico.
 
Este panorama para o milho pode abrir uma oportunidade sem precedentes para o trigo de baixa qualidade, assim como já abriu para o trigo pão com baixo teor protéico do Brasil, pois espera-se que os preços do milho cheguem a tal nível que favoreça a demanda por trigo para ração. Obviamente que teremos um concorrente de peso este ano que será a Austrália, que possui um dos maiores excedentes de trigo para alimentação animal de sua história. Porém, sem dúvida pode ser uma boa oportunidade para se gerar renda com o trigo não industrializável que abarrotam especialmente os estoques públicos do governo.
 
Enquanto a primeira situação já é algo mais concreto, por depender apenas do balanço entre oferta e demanda, o ponto que envolve venda dos estoques públicos já é uma decisão muito mais incerta, mas que sem dúvida seria uma ótima opção para garantir reservas nos cofres públicos para uma safra que sabe-se que não será favorável quanto esta 2010/11.

Fonte:
AF News

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