Cai o preço do etanol, sobe o da gasolina

Publicado em 07/04/2011 09:12 316 exibições
Ministério da Fazenda prevê queda no valor do biocombustível a partir de maio e Petrobras sinaliza alta do derivado de petróleo
Usinas já começaram a moagem da safra 2011/2012 de cana-de-açúcar, o que deve fazer com que o preço do etanol caia para o consumidor

O subsecretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, disse nesta quarta-feira (06/04) que o preço do etanol deve voltar a cair a partir de maio. Segundo ele, as usinas já estão moendo a safra 2011/2012 de cana-de-açúcar, o que deve fazer com que o preço caia bem mais para o consumidor. Bittencourt previu, no entanto, que nos próximos anos o governo pode enfrentar novamente, no período de final de março e no mês de abril, esse problema de desabastecimento, em função do fim de uma safra e início da seguinte.

A oscilação dos preços dos combustíveis afeta também a gasolina. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, sinalizou nesta quarta-feira que os preços do combustível fóssil e dos demais derivados do petróleo poderão ser reajustados se o valor do petróleo se mantiver nos atuais patamares.

"Caso se configure uma determinada estabilização do preço do petróleo no plano internacional, vamos ter que alterar os preços do petróleo no Brasil e, consequentemente, os preços dos derivados", disse. "Não está claro, no entanto, se o atual patamar de preços será mantido", complementou o executivo. Gabrielli destacou que, a despeito da pressão das cotações internacionais do petróleo, a gasolina pura da Petrobras (gasolina A) tem preços inalterados desde maio de 2009, ao redor de R$ 1 o litro. "Já a gasolina que chega ao consumidor tem outro preço, pois envolve o distribuidor, o álcool, os impostos estaduais", afirmou.

A Petrobras anunciou recentemente a importação de gasolina para atender à demanda interna. O volume deverá ser ofertado pela empresa a partir da segunda quinzena deste mês. Após esse prazo, deverá haver uma análise em relação à condição do mercado interno. "Se a demanda continuar crescendo, já estamos no limite da capacidade de produção e precisaremos importar", afirmou. Isso poderá não ocorrer caso o preço do etanol caia nas próximas semanas e, dessa forma, o consumidor volte a ampliar as compras de álcool.
 Medidas

Na avaliação de técnicos do governo, o preço do álcool deve voltar, em maio, ao mesmo patamar do ano passado, por causa da grande quantidade do produto que deve entrar no mercado. Gilson Bittencourt disse que o governo tem discutido uma série de iniciativas para tentar resolver os problemas no setor sucroalcooleiro. Alguns reestruturais e outros conjunturais. Segundo ele, a discussão sobre a possibilidade de tornar o álcool um combustível regulado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) ganhou força. “A proposta é antiga, mas pode ser um instrumento a mais de garantia de abastecimento do etanol”, disse ele. Bittencourt explicou, ainda, que sendo regulado pela ANP, o setor terá a responsabilidade de garantir o abastecimento.

Outra medida que está em estudo dentro do governo para a próxima safra é a abertura de uma linha de financiamento temporária, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do Banco do Brasil, para renovação do canavial. Segundo Bittencourt, em função da crise financeira de 2008 e 2009 os produtores de cana-de-açúcar não fizeram a renovação por falta de capital para investimentos. Com isso, a idade média dos canaviais está maior do que o normal, reduzindo a produtividade. Bittencourt explicou que essa renovação dos canaviais normalmente ocorre a cada cinco anos.

Outra linha de frente do governo é a discussão com as montadoras para tornar o etanol mais eficiente como combustível. Segundo Bittencourt, é preciso melhorar a relação econômica do álcool com a gasolina. Ou seja, o álcool só compensa economicamente na bomba se o preço for de até 70% do valor da gasolina. "É preciso melhorar a eficiência do uso do etanol. Quanto menor for o gap (entre a gasolina e o álcool) mais o álcool fica competitivo", explicou o secretário.

Para Bittencourt, este é um problema que pode ser resolvido no médio prazo. Ele disse que sem a melhoria nos motores que darão maior eficiência ao etanol, as usinas terão mais resistência em fazer novos investimentos para a produção do produto.

Fonte:
Globo Rural

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