Cana-de-Açúcar: Safra maior, mas pequena para aliviar escassez

Publicado em 12/04/2011 08:10 437 exibições
Início da moagem, que foi antecipada neste ano, segura alta dos preços, mas não anula tendência altista do mercado. Mesmo aumentando, produção fica aquém do consumo.
Atrapalhada pelo clima chuvoso, a colheita da safra 2011/12 de cana-de-açúcar está engatinhando no Brasil, mas promete produção e rentabilidade superiores às registradas na temporada passada. As perspectivas estão sustentadas no ganho de produção em importantes estados, como o Paraná, e na tendência altista para os preços do etanol e do açúcar. Isso pode dar melhores condições ao setor para retomar os investimentos no campo, avalia Disonei Zampieri, coordenador do setor sucroalcooleiro do Departa­­mento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “Vai ser um ano de recuperação”, define.

Responsável por 90% da produção nacional, a região Centro-Sul deverá ter aumento de 2,1% na moagem de cana neste ano, aponta a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única). Segundo a entidade, as usinas devem receber 568,5 milhões de toneladas para processamento, contra 556,7 milhões de toneladas na temporada 2010/11.

O Paraná, quarto maior produtor nacional, está entre os estados com maior evolução na produção de cana em relação ao ciclo anterior. De acordo com a Unica, o estado vai colher cerca de 2 milhões de toneladas a mais do que ano passado. O Deral estima a produção estadual entre 47 e 48 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Já em São Paulo, estado líder em produção de cana, a moagem deve cair mais de 4 milhões de toneladas, aponta a Unica. A redução é provocada por uma seca que atingiu severamente os canaviais no ano passado, comprometendo o desenvolvimento das plantações.

Preços

Depois de subir mais de 50% em relação a abril do ano passado, os preços do etanol reagiram à tímida entrada da nova safra de cana-de-açúcar e a tendência é que continuem sustentados pelo forte consumo. O indicador do Cen­­­tro de Estudos Avançados em Econo­mia Aplicada (Cepea) aponta recuo de10% no valor do etanol hi­­­dratado na última semana de março. Nesse período, o preço médio do produto caiu para R$ 1,45 por litro (sem impostos), contra R$ 1,63 na semana anterior.

Mas, para Arnaldo Corrêa, gestor de risco da Archer Consulting, de São Paulo, a produção da safra 2011/12 ainda será inferior ao potencial de consumo do produto, o que dá sustentação aos valores do etanol e do açúcar no curto e médio prazo. “Evidentemente que os preços caem com a nova safra, mas acredito que não voltarão para os patamares do ano passado”, estima. Ele observa que, devido ao aperto nos estoques, os valores do etanol poderão subir mais cedo na próxima entressafra de cana.

Além do ritmo alucinado das vendas de carros flex nos últimos anos, o combustível para a alta do etanol é o aumento da produção de açúcar no Brasil, que hoje atende cerca de 30% do mercado internacional. Os preços atrativos do alimento, aliás, devem fazer com que a safra paranaense seja 13,3% mais açucareira do que ano passado, com produção estimada em 3,4 mi­­­­lhões de toneladas, segundo a Associação de Produ­­­tores de Bioenergia do Paraná (Alcopar). Para o etanol, a entidade também espera ligeiro crescimento na produção, de 1,6 bilhão no ciclo passado para 1,7 bilhão de litros neste ano.

Produção precisa crescer 7% para equilibrar consumo

Embora seja maior do que em 2010/11, a produção brasileira de cana ainda não acompanha o ritmo de crescimento da demanda por etanol e açúcar. Para dar conta do consumo, o setor precisa crescer 7% ao ano, considera Arnaldo Corrêa, gestor de risco da Archer Consulting, de São Paulo. Com o esperado fortalecimento dos mercados, isso pode piorar nos próximos seis anos, complementa o analista. “O que está sendo produzido no Brasil, no momento, atende a demanda ‘passando na trave’”, avalia.

Depois de uma sequência de safras frustradas pelo clima, baixos investimentos e produtividades pressionadas pelo envelhecimento dos canaviais, os estoques brasileiros praticamente sumiram, enquanto as vendas de veículos flex só cresceram. Entre janeiro a março de 2011, as vendas de veículos subiram cerca de 8%. Dados da Associação Nacional dos Fabri­­­cantes de Veículos Auto­­­motores (Anfavea) mostram que foram vendidos mais de 900 mil veículos no primeiro trimestre deste ano, contra 836 mil no mesmo período de 2010.

Na avaliação do superintendente da Alcopar, José Adriano Dias, o Brasil precisa criar estoques de segurança que evitem problemas de abastecimento e volatilidade nos preços porque “a produção está totalmente sujeita às condições climáticas”.

Fonte:
Gazeta do Povo

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