Crédito a usinas cai ao ritmo de 2009

Publicado em 12/07/2011 07:20 171 exibições
Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor sucroalcooleiro caíram 13% no primeiro semestre deste ano. De janeiro até ontem foram liberados R$ 2,9 bilhões para projetos do segmento, ante os R$ 3,36 bilhões de igual intervalo de 2010.

Com condições de juros menos vantajosas do que no ano passado e poucos projetos novos entrando em carteira, o banco espera que os desembolsos atinjam de R$ 6 bilhões a R$ 6,5 bilhões até o fim deste ano. Se o número se confirmar, a retração ficará entre 14% e 21% em relação ao excepcional ano de 2010 (R$ 7,6 bilhões) e no patamar de 2009 (R$ 6,3 bilhões).

O chefe do Departamento de Biocombustíveis do banco, Carlos Eduardo Cavalcanti, explica que em 2010 o juro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) variou de 5,5% a 6,5%, condição que vigorou até 31 de março deste ano. Em 1º de abril, no entanto, a taxa subiu para 8,7%, o que pode ter desestimulado parte da demanda.

Além disso, diz ele, boa parte das liberações ocorridas tanto neste ano quanto em 2010 ainda se refere a pedidos antigos, alguns de antes da crise de 2008. Os mais recentes se referem a pequenos projetos de melhorias industriais e agrícolas, compra de máquinas e implementos para mecanização da colheita. "Dos R$ 7,6 bilhões que liberamos em 2010, em torno de R$ 4 bilhões foram de projetos com esse perfil, feitos indiretamente, ou seja, via bancos que operam com o BNDES", informa.

Em 2011, além de demandas dessa natureza, também cresceu a procura por projetos de cogeração de energia a partir do bagaço de cana. A instituição liberou R$ 430 milhões para esse tipo de projeto, bem acima dos R$ 150 milhões do primeiro semestre de 2010.

Já os projetos de produção de açúcar e etanol, carros-chefes desse segmento, foram os que mais caíram neste semestre. O banco emprestou R$ 2,03 bilhões para esse fim, 25,9% menos do que os R$ 2,7 bilhões de igual intervalo de 2010. Cavalcanti explica que se tratou de investimentos para projetos de novas usinas protocolados ainda antes da crise e de pequenos ajustes para ganho de eficiência industrial.

A procura por financiamento para plantio de canaviais se manteve um pouco abaixo da registrada no primeiro semestre do ano passado. Foram R$ 440 milhões de janeiro ao início de julho deste ano, ante os R$ 465 milhões dos primeiros seis meses do ano passado. Historicamente, explica Cavalcanti, o banco financia a implantação de áreas de cana quando elas estão associadas a um projeto industrial.

Por isso, ele acredita que o crescimento no plantio de cana em todo o mercado neste ano não se refletiu nas planilhas do banco. "Acredito que as usinas tenham feito essas ampliações com recursos próprios", afirma.

Com mais dinheiro em caixa, as empresas sucroalcooleiras estão mais bem avaliadas do ponto de vista de risco de crédito, diz. Em 2009, auge da crise, a participação direta do banco, sem a intermediação de agentes financeiros, esteve em 46,4% dos desembolsos às usinas. Em 2010 esse percentual recuou para 34%. Em 2011 está entre 30% e 35%. "O apetite dos outros bancos também aumentou nas operações com o setor, que agora está com as contas mais positivas".

Fonte:
Valor Econômico

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