Clima favorece surgimento de doenças em plantas e exige atenção redobrada dos produtores

Publicado em 19/09/2025 10:32
Condições como umidade, noites frias e estresse hídrico aumentam a incidência de doenças em lavouras de milho, feijão e algodão

A combinação entre dias quentes, noites frias e alternância entre períodos de seca e umidade tem exigido mais atenção dos produtores rurais nesta época do ano. É que essas condições climáticas criam o cenário ideal para o surgimento e o agravamento de diversas doenças que afetam lavouras importantes da região, como milho, feijão e algodão.

A professora Adriana Matos, do curso de Agronomia da Una Jataí, explica que o clima atual favorece o desenvolvimento de patógenos que se aproveitam do estresse das plantas. “Algumas doenças se instalam justamente quando a planta está mais vulnerável. Outras, como a mancha branca no milho, são típicas desse período, com noites mais frias, o que torna o ambiente propício para sua disseminação, especialmente nos milhos semeados mais tarde”, afirma.

Segundo Matos, entre as doenças mais recorrentes nesta época estão o mofo branco, que afeta culturas como feijão e algodão, e a já mencionada mancha branca no milho. Além disso, a ramulária no algodão acende um alerta. “Essa doença costuma aparecer com força nesse período em que as noites estão mais úmidas por conta do orvalho, e os dias seguem quentes. Isso prejudica diretamente a qualidade e a quantidade de fibra do algodão. O problema se agrava porque a doença começa na parte inferior da planta, justamente onde o fungicida tem mais dificuldade de alcançar, especialmente quando a lavoura já está fechada”, alerta a professora.

As últimas chuvas ajudaram a salvar muitas lavouras da região, mas também trouxeram um efeito colateral: o aumento da umidade no ambiente. “Isso favorece o aparecimento de fungos e outras doenças, que encontram as condições ideais para se proliferar”, explica Matos.

Outro fator que tem preocupado os produtores é o avanço do bicudo-do-algodoeiro. Segundo a docente, a praga tem causado estragos significativos nesta safra, em especial por conta da falta de controle das chamadas plantas tigueras — aquelas que nascem espontaneamente nas margens de estradas ou áreas não cultivadas. “Essas plantas funcionaram como uma ponte verde para a reprodução do bicudo. Como não houve o controle adequado no ano passado, ele chegou mais cedo e em maior número às lavouras, dificultando o manejo”, afirma.

Para evitar prejuízos maiores, a recomendação é que o controle seja feito de forma preventiva, com atenção aos sinais iniciais da lavoura. “É importante conhecer bem o híbrido ou cultivar plantado, já que alguns são mais sensíveis. O ideal é fazer as aplicações antes mesmo dos primeiros sintomas visuais. Caso eles apareçam, o produtor deve observar se a doença está controlada ou se continua avançando pelas folhas”, orienta Matos.

Ela também destaca a importância do manejo integrado de pragas e doenças. “A rotação de técnicas e de produtos é essencial para evitar que os patógenos e pragas se tornem resistentes. As mudanças climáticas têm feito com que as doenças apareçam cada vez mais cedo e dificultam o controle, porque nem sempre temos o clima ideal para aplicar os produtos. Por isso, é fundamental agir cedo, trabalhar de forma preventiva e usar estratégias combinadas”, completa.

Com o clima cada vez mais imprevisível, o produtor precisa estar atento e adaptar o manejo fitossanitário às novas condições. A resposta, segundo a professora, está na antecipação e na conscientização: “Aplicar os produtos no momento certo, usar armadilhas para monitorar os insetos e acompanhar de perto a evolução das lavouras são atitudes essenciais para garantir a produtividade e a saúde das plantas”.

Fonte: Una

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