Após ventos extremos em São Paulo, meteorologista explica o que provocou as rajadas e como fica o tempo

Publicado em 30/07/2026 11:58
Contraste entre massas de ar e avanço de uma frente fria favoreceram rajadas superiores a 100 km/h; intensidade diminui, mas litoral ainda pode registrar ventos moderados nesta quinta-feira.

Depois de um dia marcado por ventos extremos que deixaram mortos, provocaram destelhamentos, queda de árvores, interrupções no transporte e falta de energia em diferentes regiões de São Paulo e do Rio de Janeiro, a situação começa a perder força nesta quinta-feira (30). Apesar da melhora gradual das condições, a influência da frente fria ainda mantém rajadas moderadas e áreas de instabilidade, principalmente no litoral paulista.

Segundo a meteorologista Andréa Ramos, a intensidade dos ventos registrada na quarta-feira foi resultado do encontro entre uma massa de ar frio, associada à frente fria, e o ar muito quente e seco que predominava sobre o Sudeste nos dias anteriores.

"À medida que a frente fria avançou, ela rompeu o bloqueio atmosférico que atuava sobre a região e favoreceu a ocorrência de rajadas de vento mais intensas. Foi justamente essa passagem da frente que provocou os ventos mais fortes e, depois, as chuvas mais isoladas entre o centro e o oeste paulista", explica.

A especialista destaca que esse contraste acentuado entre massas de ar com características distintas criou um ambiente favorável para a formação de uma frente de rajada, fenômeno meteorológico capaz de produzir ventos intensos em um curto intervalo de tempo.

Relembre os impactos

Em São Paulo, um dos cenários mais críticos foi registrado na Baixada Santista. Em Santos, rajadas superiores a 100 km/h interromperam temporariamente as operações no Porto de Santos e as travessias de balsas, além de provocar quedas de árvores, destelhamentos e danos à infraestrutura urbana. Um homem morreu após ser atingido por uma árvore durante o temporal.

A força dos ventos levou a Defesa Civil do Estado a emitir um alerta severo para a região, já que as rajadas superaram a intensidade inicialmente prevista.

No Rio de Janeiro, a passagem da mesma frente fria também provocou transtornos. Ventos acima de 100 km/h deixaram bairros sem energia elétrica, interromperam a circulação de trens e do metrô e derrubaram sinais de trânsito. Duas pessoas morreram após serem atingidas pelo desabamento de um muro em Santa Teresa, enquanto um pescador desapareceu em Angra dos Reis durante o mau tempo.

Ainda pode ventar forte?

De acordo com Andréa Ramos, a condição atmosférica segue favorável para rajadas de vento nesta quinta-feira, mas com intensidade bem menor em comparação ao observado no dia anterior.

"Hoje ainda estamos sob influência de um gradiente de pressão mais intenso. Isso pode provocar rajadas entre 50 e 60 km/h ao longo do dia, principalmente na faixa litorânea, mas não esperamos uma condição tão intensa quanto a registrada durante a passagem da frente fria."

A meteorologista explica que o litoral paulista continuará concentrando os maiores volumes de nebulosidade e as rajadas mais frequentes, enquanto o interior do estado deve registrar apenas pancadas isoladas de chuva, especialmente nas regiões oeste e noroeste.

"A tendência é de diminuição gradual da instabilidade ao longo do dia. Permanecem algumas chuvas isoladas e ventos mais acelerados no litoral, mas sem expectativa de um novo episódio de grande impacto."

Próximos dias

Para sexta-feira (31), a previsão indica que a alta pressão atmosférica começa a ganhar força sobre o Sudeste, reduzindo ainda mais a instabilidade. A frente fria se afasta em direção ao Espírito Santo, mantendo condições para chuva principalmente naquele estado.
Com isso, a expectativa é de que os ventos percam intensidade gradativamente em São Paulo, encerrando o episódio de tempo severo que marcou a passagem do sistema nesta semana.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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