El Niño mantém temperaturas elevadas em grande parte do Brasil e deve influenciar consumo no Dia dos Pais, aponta Nottus
O último fim de semana antes do Dia dos Pais, tradicionalmente um dos períodos de maior movimento no comércio para as compras de última hora, deverá ocorrer sob temperaturas elevadas em grande parte do Brasil. Segundo a Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, o fortalecimento do El Niño deve reduzir a frequência de dias com características típicas de inverno até o fim da estação, influenciando o comportamento dos consumidores e exigindo adaptações do varejo.
Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) mostram que o El Niño já está estabelecido e deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Os modelos climáticos indicam alta probabilidade de intensificação do fenômeno ao longo dos próximos meses, com potencial para atingir forte intensidade até o fim de 2026, favorecendo temperaturas acima da média em grande parte do país.
Mesmo em pleno inverno, a previsão para as principais capitais reforça esse cenário. Neste fim de semana (1º e 2 de agosto), quando muitos consumidores devem concentrar as compras para o Dia dos Pais, as máximas devem ficar em torno de 28°C em São Paulo, 29°C e 32°C no Rio de Janeiro, em torno de 27°C em Belo Horizonte e 28°C e 21°C em Porto Alegre, onde a instabilidade aumenta novamente no domingo.
O contraste em relação ao mesmo período do ano passado chama a atenção. No primeiro fim de semana de agosto de 2025, capitais como São Paulo registraram máximas próximas de 26°C, Rio de Janeiro de 27°C, Belo Horizonte de 25°C e Porto Alegre de 21°C. Ao longo do mês voltou a esfriar várias vezes no centro-sul do país, refletindo um inverno mais característico sob influência da La Niña.
Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, avalia que o comportamento do clima tende a influenciar as decisões de compra dos consumidores. "O Dia dos Pais costuma impulsionar vendas de casacos, tricôs, botas e outros produtos associados ao inverno. Neste ano, o cenário é diferente. Com temperaturas elevadas e menor persistência do frio, o consumidor tende a priorizar roupas de meia-estação, calçados casuais, artigos esportivos, eletrônicos, itens para lazer ao ar livre e experiências, reduzindo a atratividade de produtos tipicamente invernais", afirma.
Para o executivo da Nottus, o último fim de semana antes da data é estratégico para o comércio, já que concentra parte significativa das compras de última hora. "Mesmo com estoques definidos meses atrás, ainda há espaço para ajustar vitrines, campanhas promocionais e estratégias de exposição de produtos. Empresas que acompanham a evolução das condições meteorológicas conseguem responder mais rapidamente às mudanças no comportamento do consumidor e direcionar melhor suas ações comerciais", destaca.
Além das mudanças no consumo, o fortalecimento do El Niño também exige atenção das cadeias de abastecimento. A previsão de chuvas mais frequentes na região Sul pode provocar impactos pontuais na logística e na distribuição de mercadorias, enquanto o predomínio de tempo seco e temperaturas elevadas em boa parte do país deve favorecer o fluxo de consumidores em centros comerciais e atividades ao ar livre.
Para a Nottus, o comportamento climático deste inverno reforça a necessidade de incorporar inteligência meteorológica ao planejamento do varejo. A expectativa é de que a sensação típica de inverno se torne cada vez menos frequente até setembro, tornando as condições meteorológicas um fator relevante para decisões de estoque, marketing, logística e estratégias comerciais durante uma das principais datas do calendário do comércio brasileiro.