Açúcar amplia ganhos com expectativa de oferta mais restrita e clima na Índia no radar

Publicado em 05/08/2026 11:58 e atualizado em 05/08/2026 12:45
Cotações avançam em Nova Iorque e Londres, sustentadas por projeções de oferta mais apertada e incertezas sobre a temporada de monções no segundo maior produtor mundial.

Os preços do açúcar operam em alta nas principais bolsas internacionais nesta quarta-feira (5), dando continuidade ao movimento positivo observado nas últimas sessões. O mercado segue sustentado pela expectativa de uma oferta global mais apertada na safra 2026/27, enquanto os investidores continuam atentos às condições climáticas na Índia e aos possíveis impactos do El Niño sobre importantes regiões produtoras.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), por volta das 11h50 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 15,19 cents de dólar por libra-peso, alta de 15 pontos. O contrato março/27 era comercializado a 16,13 cents por libra-peso, avanço de 15 pontos.
Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco era vendido a US$ 475,90 por tonelada, alta de 320 pontos. Já o contrato dezembro avançava 330 pontos, negociado a US$ 475,60 por tonelada.

O principal fator de sustentação das cotações continua sendo a perspectiva de uma oferta global mais restrita. Nesta semana, a Covrig Analytics revisou sua projeção para a safra 2026/27 e passou a estimar um déficit mundial de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de um superávit de 100 mil toneladas.

Outras consultorias também reforçaram esse cenário. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global para 3,3 milhões de toneladas, acima dos 1,76 milhão projetados em junho. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante os 550 mil toneladas estimados anteriormente.

Clima na Índia segue no foco do mercado

As condições climáticas na Índia permanecem entre os principais fatores monitorados pelos investidores. Na última sexta-feira, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem ficar abaixo da média. Além disso, o Ministério de Ciências da Terra do país mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos.

Apesar dessa perspectiva, os dados mais recentes mostram melhora nas precipitações. Até 3 de agosto, o acumulado das chuvas de monção estava 12% abaixo da média histórica, avanço significativo frente ao déficit de 42% registrado no fim de junho. Esse cenário chegou a pressionar as cotações na semana passada, ao aumentar as expectativas de uma produção maior de açúcar na Índia.

El Niño reforça preocupações com a oferta

Além da Índia, o mercado segue atento aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. A expectativa é de que o fenômeno reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta global da commodity.

As previsões climáticas indicam que o fenômeno poderá ganhar intensidade nos próximos meses, mantendo a atenção dos agentes do mercado sobre os efeitos no desenvolvimento das lavouras e na disponibilidade de açúcar ao longo da safra 2026/27.

Mercado interno

No mercado físico brasileiro, as cotações do açúcar cristal branco registraram leve alta nos últimos dias no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, o mercado segue com liquidez restrita, enquanto os compradores continuam atuando de forma seletiva.

No cenário climático, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta intensificação do El Niño, com pico previsto entre agosto e outubro de 2026. Para o Centro-Sul do Brasil, as avaliações indicam que as chuvas mais frequentes durante o segundo semestre tendem a favorecer o desenvolvimento dos canaviais e a produtividade. Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar os trabalhos de colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), fator que continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado nas próximas semanas.


 


 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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