Ciclone-bomba avança pelo Brasil: veja os estados que serão mais afetados pelo fenômeno
O ciclone-bomba começou a se formar entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (6) e deve concentrar seus principais impactos sobre a Região Sul do Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o maior risco de temporais atinge o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com possibilidade de chuva intensa, rajadas de vento e granizo. A frente fria associada ao sistema também avança sobre o sul de Mato Grosso do Sul e São Paulo, podendo provocar mudanças no tempo ainda em partes de Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Diante da intensidade prevista, o Inmet emitiu alerta vermelho de grande perigo para tempestades no centro-sul do Rio Grande do Sul, além de avisos para vendavais e granizo em diferentes áreas da Região Sul.
Segundo o meteorologista Denis William Garcia, da Meteored, apesar de o ciclone ser o sistema meteorológico que chama mais atenção, os efeitos sentidos sobre o continente são provocados principalmente pela frente fria ligada a ele.
"O ciclone geralmente se desloca de oeste para leste, em direção ao Oceano Atlântico. Quem avança sobre o continente é a frente fria associada a ele. É essa frente fria que provoca as chuvas, tempestades e vendavais", explica.
Ao longo desta quinta-feira e durante a sexta-feira (7), o tempo mais severo deve se concentrar no Rio Grande do Sul, avançando durante a madrugada para Santa Catarina e Paraná. No sul de Mato Grosso do Sul e no estado de São Paulo também há previsão de pancadas de chuva, enquanto áreas do sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro podem registrar instabilidades mais isoladas.
"No Sul teremos chuvas bastante intensas, tempestades, fortes rajadas de vento e possibilidade de granizo. As rajadas podem chegar perto dos 100 km/h, principalmente entre a Serra Gaúcha e a Serra Catarinense."
O meteorologista ressalta que, embora o Centro-Oeste e o Sudeste também sintam os reflexos da frente fria, os fenômenos tendem a ocorrer com menor intensidade quando comparados ao Sul.
"No Centro-Oeste e no Sudeste os efeitos serão menores, mas ainda há previsão de pancadas de chuva no sul do Mato Grosso do Sul e mudança de tempo em São Paulo. Também podemos ter chuva em partes do sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, porém com intensidade inferior ao que será observado no Sul."
Como o ciclone-bomba se forma
Segundo Denis Garcia, o fenômeno começa a partir de uma área de baixa pressão que atua frequentemente entre Argentina, Paraguai e Bolívia.
"Essa área de baixa pressão se desprende e dá origem aos ciclones, geralmente associados às frentes frias. Com a presença do El Niño no Pacífico, aumenta o fluxo de umidade para o Sul do Brasil. Com isso, ciclones e frentes frias ganham mais força, provocando chuvas intensas, tempestades e grandes volumes de precipitação."
O meteorologista explica que, nesta quinta-feira, o sistema passou rapidamente da fase inicial para a formação de um núcleo fechado de baixa pressão.
"Hoje mesmo ele já vai se formar. Durante a manhã ocorre o desprendimento dessa baixa pressão, depois aparece o que chamamos de cavado, um alongamento dessa área de baixa pressão. Já no período da tarde o núcleo do ciclone estará consolidado."