Três tornados em 15 dias: por que o Sul do Brasil registra tantos fenômenos?

Publicado em 10/08/2026 14:10
Giruá, Pedro Osório e Piraí do Sul tiveram registros recentes; chuva volta ao Sul nesta semana, mas previsão indica menor risco para novos tornados

O Sul do Brasil registrou três tornados em menos de 15 dias. O primeiro ocorreu em Giruá, no Rio Grande do Sul, em 28 de julho. Depois, Pedro Osório (RS) teve registro do fenômeno em 6 de agosto e, apenas dois dias depois, Piraí do Sul, no Paraná, foi atingida por um tornado durante uma tempestade severa.

A sequência chama a atenção, mas não significa que a região esteja diante de um período contínuo de ocorrência de tornados. Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere Consultoria, os próximos dias ainda terão condições para tempestades no Sul, porém com menor potencial para fenômenos tão severos.

“A chuva retorna para a Região Sul a partir desta terça-feira (11), com chance de novos temporais isolados que podem vir acompanhados por raios, ventos fortes e queda de granizo. No entanto, o risco para tempo severo, como a possibilidade de novos tornados, é menor”, explica Patrícia. 

Estragos

Em Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, o tornado atingiu principalmente a área rural. Segundo a Defesa Civil, 20 residências foram afetadas nas comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e no bairro Santo André. Ao menos 20 pessoas ficaram desalojadas e foram acolhidas por familiares.

Os temporais também provocaram danos em outros municípios paranaenses, com casas, galpões e granjas atingidos, além da queda de árvores e postes. Algumas propriedades ficaram sem energia elétrica.

 

Como um tornado se forma?

O tornado é um fenômeno associado às tempestades mais organizadas e pode surgir a partir de uma supercélula, um tipo de tempestade caracterizado por uma forte corrente de ar ascendente e uma estrutura interna capaz de manter a circulação por mais tempo.

Para que esse tipo de tempestade se desenvolva, é necessário que a atmosfera reúna uma combinação de fatores, como a presença de ar quente e úmido próximo à superfície e ar relativamente mais frio e seco em níveis superiores.

“Quando os ventos apresentam mudanças de direção e velocidade com a altura, ocorre o chamado cisalhamento do vento, favorecendo a formação de uma circulação dentro da tempestade. Essa rotação pode se intensificar e dar origem a uma estrutura em formato de funil”, explica Patrícia Cassoli.

A partir do momento em que essa circulação se estende até o solo, com o contato do funil com a superfície, configura-se um tornado.
Nem toda tempestade forte produz tornado. É necessária uma combinação específica de calor, umidade, instabilidade atmosférica e dinâmica dos ventos.

A intensidade dos tornados é classificada pela Escala Fujita Melhorada (EF), que vai de EF0 a EF5. A classificação considera principalmente os danos provocados e as estimativas dos ventos. No nível EF0, os ventos ficam entre 105 e 137 km/h, enquanto um tornado EF5 apresenta ventos superiores a 322 km/h.

Por que o Sul é uma região favorável?

A Região Sul está entre as áreas do país mais sujeitas a tempestades severas. A posição geográfica favorece o encontro de diferentes massas de ar e a atuação de sistemas meteorológicos que provocam mudanças rápidas nas condições atmosféricas.

O avanço de frentes frias, a entrada de ar frio e a presença de ar quente e úmido podem criar ambientes de grande instabilidade. Quando esses ingredientes se combinam com forte cisalhamento do vento, aumentam as chances de formação de tempestades organizadas e, em situações específicas, de supercélulas capazes de produzir tornados.

Por isso, a ocorrência de três eventos em um intervalo curto não significa que novos tornados necessariamente vão ocorrer nos próximos dias. A formação depende da combinação das condições atmosféricas em cada episódio.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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