Sul terá chuva intensa e risco de tempestades, enquanto calor e seca avançam pelo Brasil

Publicado em 12/08/2026 10:54
Instabilidades entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem provocar tempestades, granizo e vendavais; no Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste, falta de chuva e baixa umidade aumentam a preocupação para o campo

O tempo segue bastante diferente entre as regiões brasileiras nos próximos dias. Enquanto o Sul concentra as principais áreas de chuva e risco de tempestades, grande parte do interior do país permanece sob calor, tempo seco e baixos índices de umidade. Para o produtor rural, o cenário exige atenção tanto aos volumes elevados de chuva no Sul quanto à falta de precipitações em áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

Segundo o meteorologista Bruno Bainy, do Cepagri/Unicamp, a chuva continua concentrada principalmente no Sul, enquanto boa parte do interior brasileiro atravessa um período de estiagem que já começa a ter reflexos importantes para a agricultura.

“Boa parte do interior do Brasil permanece seco, principalmente a faixa equatorial, partes do leste do Brasil e principalmente o Sul do país, parte do estado de São Paulo.”

A previsão indica que o frio observado nos últimos dias também começa a perder força. Com o afastamento da massa de ar frio que avançou pelo país, as temperaturas voltam a subir, principalmente no Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.

Sul concentra chuva e risco de tempestades

O Sul deve continuar sendo a região com maior atenção meteorológica. A combinação entre a entrada de calor e umidade e um sistema que favorece a formação de nuvens carregadas mantém as condições para chuva entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

No início da semana, os maiores volumes ficam concentrados principalmente entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre quinta e sexta-feira, as áreas de chuva avançam em direção ao norte gaúcho, Santa Catarina e Paraná.

No Paraná, a atenção é maior para a metade sul do estado, onde podem ocorrer tempestades com granizo, muitos raios e vendavais. Os acumulados podem chegar a 30 a 50 milímetros por dia em áreas que receberem as chuvas mais persistentes.
Bainy explica que não se trata de uma condição de vento forte generalizada, mas de rajadas associadas às tempestades.

“São vendavais localizados, ocasionados pelas tempestades que se desenvolverem nos próximos dias.”

O meteorologista também chama atenção para a possibilidade de eventos severos no Paraná ao longo dos próximos dias.

“A gente tem possibilidade de tempestades amanhã e sexta-feira mais severas, com risco de granizo e vendavais bastante intensos e de forma mais pontual.”

Para o produtor rural, o cenário merece atenção especial porque a região já vem acumulando períodos de chuva frequente. O excesso de água pode dificultar operações no campo, provocar encharcamento do solo e aumentar a pressão de doenças em algumas culturas.

O frio, por outro lado, perde força gradualmente. Ainda assim, as temperaturas permanecem baixas em alguns pontos e a presença de muitas nuvens e chuva pode limitar a elevação dos termômetros durante o dia.

“O frio intenso que a gente teve no Sul do país nesses últimos dias vai perdendo força, continua frio, mas não é aquele frio tão intenso.”

A previsão também aponta para o retorno de períodos de chuva no Rio Grande do Sul ao longo do fim de semana.

Centro-Oeste terá calor, sol e baixa umidade

Enquanto o Sul enfrenta chuva, o Centro-Oeste permanece predominantemente seco e quente.

As temperaturas mínimas devem ficar próximas de 20°C a 22°C em boa parte da região, enquanto as máximas variam entre 33°C e 35°C. Até o fim de semana, porém, o calor pode aumentar, com temperaturas entre 36°C e 38°C em várias áreas.

A umidade relativa do ar pode ficar entre 15% e 20%, chegando a níveis ainda menores em algumas localidades.

O cenário aumenta a necessidade de atenção do produtor com a conservação da umidade do solo, manejo das lavouras e risco de incêndios, principalmente em áreas com vegetação seca.

“Boa parte do Brasil aí com mais de mês sem essa chuva já há pelo menos um mês”, completa o meteorologista. 

Sudeste volta a esquentar

No Sudeste, o tempo permanece predominantemente seco e as temperaturas entram novamente em elevação após o resfriamento provocado pela passagem da frente fria.

Podem ocorrer chuvas isoladas na quarta-feira no extremo sul de Minas Gerais, no Circuito das Águas Paulista e em áreas do leste mineiro.

Entre sexta-feira e sábado, novas pancadas podem atingir pontos do sul de São Paulo, litoral paulista, Rio de Janeiro, Espírito Santo e leste de

Minas Gerais. Mesmo nessas áreas, a chuva deve ocorrer de forma irregular.

Em grande parte do interior, a umidade relativa do ar pode ficar entre 20% e 30%, enquanto as temperaturas devem superar os 32°C em diversas localidades.

Bainy afirma que o calor deve voltar rapidamente após a passagem do ar frio.

“A massa de ar frio da frente fria que passou ali no final de semana causou temperaturas bem baixas aqui no Rio Grande do Sul. Essa massa de ar frio já vai se afastando.”

No campo, o cenário favorece atividades que dependem de tempo firme, mas a falta de chuva aumenta a necessidade de monitoramento da umidade do solo, principalmente em áreas agrícolas que dependem das precipitações.

Nordeste tem chuva no litoral e seca no interior

O Nordeste apresenta uma divisão clara entre o litoral e o interior.

Nas áreas litorâneas, especialmente entre Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, há possibilidade de chuva nos próximos dias, com volumes geralmente entre 10 e 20 milímetros. O litoral sul da Bahia também pode registrar pancadas isoladas.

No interior, porém, o tempo permanece firme, com pouca nebulosidade, calor e baixa umidade. Entre Maranhão, Piauí e o noroeste da Bahia, as máximas podem chegar a 33°C a 35°C.

O cenário é típico do período do ano, mas preocupa em áreas agrícolas onde a ausência de chuva já se prolonga.

O meteorologista explica que a chuva no Nordeste ocorre principalmente próxima ao litoral e na Zona da Mata, enquanto o interior permanece mais seco.

“Aqui as chuvas que ocorrem, elas são muito mais essa faixa litorânea, zona da mata, o que é típico, que é, de certa forma, esperado.”

Norte terá chuva irregular e calor

Na Região Norte, as principais áreas de chuva ficam concentradas na faixa mais ao norte, especialmente no noroeste do Amazonas e em Roraima.

Também podem ocorrer pancadas isoladas em Rondônia e no Amapá. No Pará, a chuva fica mais restrita ao norte do estado, enquanto Tocantins e Acre permanecem sem previsão de chuva significativa.

As temperaturas seguem elevadas, com máximas entre 33°C e 35°C e mínimas próximas de 25°C.

O Tocantins continua entre as áreas que mais preocupam pela combinação de calor e falta de chuva. Bainy lembra que a estiagem no estado já vem se prolongando.

“Continua sem chuva. A chuva que cai é aquela chuva mais passageira, que não traz alívio nenhum ali para o estado.”

O meteorologista também destaca que o problema já pode ser observado nos mapas de estiagem agrícola, que mostram áreas onde a chuva registrada não foi suficiente para repor a água disponível no solo.

“Essa região aqui, boa parte do interior do Nordeste, parte do Centro-Oeste e região Norte, é isso que a gente vê aí.”
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Cerca de 1.200 pessoas deixam costa do norte da França por incêndio florestal
Defesa Civil alerta para risco de incêndios na região de Campinas
Sul terá nova rodada de chuvas, enquanto calor e tempo seco ganham força no Brasil
Sul terá chuva intensa e risco de tempestades, enquanto calor e seca avançam pelo Brasil
TEMPO & CLIMA - EDIÇÃO 12/08/2026
Temporais e granizo no Sul enquanto veranico aumenta o calor | Previsão do tempo 12/08/2026