Ciclone extratropical muda o tempo no Sul e leva chuva ao Sudeste nos próximos dias
A formação de um ciclone extratropical entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, prevista para a madrugada desta quinta-feira (20), deve provocar uma mudança importante no tempo nos próximos dias. O sistema vai organizar uma frente fria, aumentar as instabilidades na Região Sul e, posteriormente, favorecer chuva e rajadas de vento em áreas do Sudeste.
Segundo o meteorologista Denis William Garcia, da Meteored, a formação do ciclone já começa a ser observada nesta quarta-feira (19), a partir da interação entre o ar quente e úmido e a entrada de ar frio no Sul.
“A gente tem, ao longo desta quarta-feira, a ciclogênese, que é esse processo de formação do ciclone.”
A previsão indica que o sistema deve se consolidar durante a madrugada de quinta-feira e provocar chuvas intensas, trovoadas e possibilidade de temporais, principalmente no Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e oeste ou sudoeste do Paraná.
No Sul, a combinação entre o ar quente presente na região e a entrada de umidade deve favorecer a formação de nuvens carregadas. O cenário é de atenção para chuvas fortes, rajadas de vento, trovoadas e, pontualmente, granizo.
Apesar do potencial de temporais, Garcia destaca que o sistema deve avançar rapidamente.
Frente fria avança para Sudeste
No Sudeste, o tempo permanece quente e seco nesta quarta-feira, com destaque para o interior de São Paulo e Minas Gerais. A mudança começa a ganhar força com a aproximação da frente fria, especialmente entre sexta-feira e o fim de semana.
De acordo com Garcia, o ciclone terá deslocamento rápido em direção ao Oceano Atlântico. A frente fria associada ao sistema, porém, continuará avançando pelo continente e poderá levar mudanças para outras regiões.
“A frente fria também vai atingir outros estados”, explicou o meteorologista. Entre sexta-feira (21) e sábado (22), os efeitos devem alcançar principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais, com aumento da nebulosidade e da possibilidade de chuva.
Rajadas de vento também entram no radar
O avanço do ciclone pelo oceano também aumenta a diferença de pressão atmosférica e, consequentemente, a intensidade dos ventos.
Segundo o meteorologista, a atenção deve ser redobrada entre sábado e domingo no litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais. No oeste paulista e no Triângulo Mineiro, os efeitos tendem a ser menores, mas ainda podem ocorrer rajadas próximas de 40 a 45 km/h.
Calor continua forte no Centro-Oeste e Norte
Enquanto o Sul se prepara para a mudança de tempo, grande parte do Brasil permanece sob influência de uma massa de ar quente e seco.
Nesta quarta-feira, as temperaturas podem chegar a 38°C em Cuiabá (MT) e também ficam elevadas em outras áreas do Centro-Oeste. Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, podem registrar 32°C, enquanto o oeste de São Paulo deve superar os 34°C.
No Nordeste, o tempo permanece predominantemente seco no interior, enquanto as pancadas de chuva ficam mais concentradas na faixa litorânea. Há possibilidade de chuva entre áreas do litoral da Bahia e Salvador, além do trecho entre Alagoas e Rio Grande do Norte. Também podem ocorrer pancadas no litoral de Fortaleza e São Luís.
O calor também chama atenção na Região Norte. Segundo Garcia, os modelos indicam temperaturas entre 36°C e 40°C em diferentes pontos. Manaus pode chegar a 37°C, enquanto Marabá (PA) e Porto Velho (RO) têm previsão próxima de 39°C.
“A maior tendência é que o calor continue nesta quarta-feira, principalmente nessas áreas do país.”
As chuvas aparecem de forma mais irregular, principalmente no Acre, oeste do Amazonas, Rondônia e áreas próximas de Belém e Macapá. No restante da região, o calor e o tempo seco continuam predominando.
Qualidade do ar
O calor é acompanhado por níveis muito baixos de umidade relativa do ar. Garcia cita registros próximos de 11% em áreas de Mato Grosso, com possibilidade de valores ainda menores em locais sem estações de monitoramento.
No Triângulo Mineiro, a umidade pode ficar em torno de 13%, enquanto áreas de Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia também permanecem abaixo de 20%.
A combinação de temperaturas elevadas, ar seco e vento aumenta a preocupação com a propagação de queimadas e exige atenção redobrada no campo.
“Esse tempo mais seco deve se prolongar, trazendo desafios para os moradores e para o homem do campo.”