Fim de semana terá extremos no campo: temporais no Sul e calor intenso no Centro-Norte
O tempo segue bastante diferente entre as regiões do Brasil neste fim de semana. Enquanto áreas do Centro-Oeste, Matopiba e partes do Sudeste enfrentam calor intenso e baixa umidade do ar, o Sul terá maior risco de chuva forte, temporais, ventos e granizo.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a sexta-feira (28) e o sábado (29) serão marcados por temperaturas elevadas em grande parte do país. No Centro-Oeste, os termômetros podem chegar aos 40°C em Cuiabá (MT), enquanto Palmas (TO) e Porto Velho (RO) podem registrar até 38°C.
O meteorologista Francisco de Assis destaca que o calor deve continuar nos próximos dias, principalmente nas áreas mais centrais do país.
“As altas temperaturas permanecem no centro do Brasil. Em Mato Grosso, as temperaturas estão sempre chegando nessa faixa de 40 graus. Também no Tocantins, ficando nessa faixa aí de 39 a 40 graus.”
Além das temperaturas elevadas, a baixa umidade continua sendo um dos principais pontos de atenção. Em algumas áreas de Mato Grosso, Tocantins, Goiás e Mato Grosso do Sul, os índices podem ficar entre 10% e 20%, condição que aumenta o risco de queimadas e dificulta a recuperação da vegetação.
Calor e seca preocupam no campo
No Centro-Oeste, a previsão indica tempo firme e poucas nuvens na maior parte da região. A chuva deve aparecer apenas de forma isolada no extremo sul de Mato Grosso do Sul e no extremo noroeste de Mato Grosso.
A combinação de calor e pouca chuva mantém a preocupação para atividades agrícolas e pecuárias, especialmente em áreas que já enfrentam períodos prolongados de estiagem.
O cenário também se repete em partes do Matopiba. No sul do Maranhão e do Piauí e no oeste da Bahia, o tempo segue mais seco, com baixos índices de umidade e temperaturas elevadas.
No Sudeste, a situação começa a mudar. Depois de dias com algumas áreas de chuva, a instabilidade perde força e o calor volta a ganhar espaço. São Paulo pode chegar a 36°C, enquanto o oeste do estado e o centro-oeste e norte de Minas Gerais permanecem com atenção para a baixa umidade.
Para Assis, o alívio trazido por algumas chuvas recentes não significa, necessariamente, o início definitivo do período chuvoso.
“Essa chuva realmente ainda não é o início da chuva propriamente dito. Não é o período chuvoso.”
O meteorologista chama atenção para uma possível mudança no padrão nos primeiros dias de setembro. A previsão indica retorno de chuvas em áreas do Centro-Oeste, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, o que pode trazer algum alívio para regiões que enfrentam estiagem.
Chuva forte aumenta risco no Sul
Enquanto o calor domina boa parte do país, o Sul concentra as condições mais favoráveis para temporais. Um sistema de baixa pressão atua sobre a região e mantém a possibilidade de chuva forte, trovoadas, ventos intensos e granizo.
No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o risco é maior. O Inmet mantém alertas para tempestades, enquanto o Paraná também pode registrar pancadas de chuva e trovoadas.
O cenário já deixou volumes elevados de chuva no Rio Grande do Sul. Segundo Francisco de Assis, algumas áreas do estado receberam entre 80 e 100 milímetros em 24 horas, principalmente no sudeste gaúcho.
Também foram registrados ventos fortes, com rajadas entre 75 e 85 km/h em diferentes localidades.
Para o produtor, a atenção deve estar voltada principalmente para lavouras em áreas de maior risco de alagamento, além de estruturas rurais, estradas e atividades que dependam de condições estáveis de campo.
A possibilidade de granizo também não está descartada.
“Não é descartável, não. Pode ter risco de queda de granizo em algumas localidades, devido ao forte contraste de temperatura.”
Norte e Nordeste têm chuva mais localizada
Na Região Norte, o tempo continua dividido. Amazonas e Roraima concentram as principais condições para pancadas de chuva, enquanto Tocantins e o sul do Pará permanecem mais secos e quentes.
Em Palmas, a máxima pode chegar a 38°C. A baixa umidade também permanece como ponto de atenção para o Tocantins, especialmente durante as tardes.
No Nordeste, as chuvas ficam mais concentradas na faixa litorânea. Já o interior permanece com temperaturas elevadas e tempo mais seco. Teresina (PI) pode chegar a 38°C, enquanto áreas do sul do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia continuam sob alerta de baixa umidade.
Chuva pode aumentar no início de setembro
Além da previsão para o fim de semana, o cenário para os primeiros dias de setembro chama atenção do setor agropecuário. De acordo com Francisco de Assis, há indicação de aumento das chuvas a partir dos dias 2 e 3 de setembro, atingindo áreas de Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Tocantins.
A previsão aponta ainda possibilidade de continuidade das chuvas nos dias seguintes. Para o meteorologista, esse comportamento pode estar relacionado à atuação do El Niño, antecipando episódios de chuva em áreas que normalmente ainda estariam sob influência do período seco.
“Já são os reflexos do El Niño. Se a gente pegar ano de El Niño forte que tivemos, ou muito forte, como por exemplo, 2023, 2015, 1982, 1997, a gente vai perceber que ocorrem chuvas antecipadas aqui no centro do Brasil.”
Apesar do possível alívio para o campo, Assis reforça que o produtor precisa ter cautela para não interpretar essas primeiras chuvas como o início definitivo da temporada chuvosa.
“Isso pode realmente trazer um certo engano aí para o lado dos agricultores, porque a chuva realmente ainda não é o início da chuva propriamente dito.”
Outro efeito positivo da chegada de períodos mais úmidos é a redução do risco de queimadas. Com mais umidade na atmosfera e no solo, a vegetação tende a ficar menos suscetível ao fogo.