Setembro começa com extremos: muita chuva no Sul e calor intenso em áreas produtoras do Centro-Oeste

Publicado em 31/08/2026 10:38
Primeiros dias do mês terão temporais e volumes elevados no Sul, enquanto áreas produtoras do Centro-Oeste e Matopiba ainda enfrentam calor e baixa umidade; chuva começa a avançar, mas de forma irregular

O mês de setembro começa com condições de tempo bastante diferentes entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul deve enfrentar chuva frequente, temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo, áreas do Centro-Oeste, Matopiba e parte do Sudeste seguem com temperaturas elevadas e períodos de baixa umidade.

Para o produtor rural, a principal atenção neste início de mês está na distribuição das chuvas. A previsão indica que a umidade começa a retornar para áreas mais centrais do país, mas ainda de maneira irregular, o que pode dificultar o planejamento do início do plantio das culturas de verão.

Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, setembro deve manter um cenário de chuva acima do normal em boa parte da Região Sul. “Tanto na primeira quinzena quanto na segunda quinzena, a gente pode observar que na região Sul fica esse grande destaque. A gente observa que tem previsão de mais de 100 milímetros de chuva para os três estados da região Sul”, explica.

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também aponta para uma semana de maior instabilidade no Sul, com acumulados elevados principalmente entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em algumas áreas, a chuva pode vir acompanhada de ventos fortes e granizo.

Chuva frequente exige atenção no Sul

A passagem de novas frentes frias deve manter o tempo instável no Sul ao longo dos próximos dias. Entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, os volumes podem superar 50, 60 e até 70 milímetros em 24 horas em alguns pontos.
Para o produtor, além do excesso de água, o risco está na ocorrência de temporais. A combinação de chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo pode provocar danos às lavouras, principalmente em áreas mais vulneráveis.

O cenário deve continuar ao longo de setembro. “Passagem frequente de frentes frias ao longo do mês, ajudando então nessa manutenção dos altos volumes acumulados, mantém aquela atenção ao produtor por conta dessa chuva que por vezes vem na forma de temporal, com granizo e também com fortes rajadas de vento.”

A meteorologista ainda não descarta episódios de tempo severo, inclusive com possibilidade de tornados em pontos da região Sul.

A partir de terça-feira, a tendência é de deslocamento da frente fria em direção ao Sudeste, diminuindo gradualmente as chuvas no Sul. Na quarta-feira, a entrada de ar mais frio também deve derrubar as temperaturas, principalmente nas áreas de serra. Há possibilidade de geada entre quarta e quinta-feira em áreas mais elevadas do Paraná e Santa Catarina e também em pontos do Rio Grande do Sul.

Centro-Oeste começa a receber chuva, mas ainda de forma irregular

No Centro-Oeste, o cenário é praticamente oposto. O início de setembro ainda será marcado por calor e períodos de tempo seco, mas a chuva começa a aparecer em algumas áreas.

Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e partes de Minas Gerais e Bahia podem registrar pancadas nos primeiros dias do mês. No entanto, os volumes ainda não são considerados regulares, o que exige cautela principalmente para quem está se preparando para o plantio da soja.

“O produtor das áreas mais centrais do Brasil, de Mato Grosso, Goiás, região do Matopiba, vai precisar acompanhar a previsão de forma um pouco mais próxima, porque essa chuva acontece de forma bastante irregular, pode não trazer uma boa umidade no solo e também pode ter aquela chuva falsa.”

Segundo ela, pode ocorrer uma chuva pontual seguida por vários dias de tempo seco. “Vem uma condição de chuva, depois fica ali uns 5, 7 dias sem chover, então pode prejudicar o desenvolvimento inicial das culturas.”

A preocupação ganha importância com a aproximação das primeiras janelas de plantio da safra de verão. Em Mato Grosso, por exemplo, a partir do início de setembro algumas áreas já entram no período permitido para o cultivo da soja.

Por isso, a ocorrência de uma primeira chuva não significa necessariamente que as condições para o plantio estejam consolidadas. O produtor precisa observar não apenas o volume previsto, mas também a continuidade das precipitações e a capacidade de manutenção da umidade no solo.

Chuva deve avançar para o Sudeste

No Sudeste, a primeira semana de setembro terá mudanças importantes. A frente fria que atua sobre o Sul deve avançar em direção à região, aumentando as condições de chuva principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Apesar disso, os primeiros episódios ainda devem ocorrer de maneira irregular. A previsão indica pancadas em algumas áreas, mas sem uma distribuição uniforme sobre toda a região.

São Paulo também terá atenção especial para a alternância entre chuva e calor. Depois da passagem da frente fria, as temperaturas devem voltar a subir, com máximas elevadas principalmente no interior do estado.

El Niño aumenta a importância do planejamento

O comportamento da chuva previsto para setembro também está relacionado ao fortalecimento do El Niño. De acordo com Patrícia, o fenômeno já apresenta intensidade elevada no Oceano Pacífico Equatorial.

“Já estamos ali num El Niño de forte intensidade, em termos de anomalia, já supera ali em torno de 2,5 graus, então já estamos com El Niño bastante intenso ali no Oceano Pacífico Equatorial”, afirma.

A expectativa é de que o fenômeno ganhe ainda mais força durante a primavera. Os modelos citados pela meteorologista apontam para uma possível intensificação nos próximos meses, com impactos importantes sobre a distribuição das chuvas e as temperaturas no Brasil.

Para a agricultura, um dos principais efeitos esperados é a manutenção de um padrão mais chuvoso no Sul, enquanto áreas mais centrais e ao norte do país podem apresentar chuva abaixo do normal em determinados períodos.

“Os meses que têm o maior impacto em relação ao El Niño são os meses agora de primavera, onde a gente de fato vai perceber ainda mais os efeitos associados a ele”, explica Patrícia.

Ela ressalta que o padrão já começou a aparecer nos últimos meses, com chuvas mais frequentes e volumosas no Sul, e tende a ganhar força durante a primavera.

Calor continua no Centro do país

Enquanto a chuva começa a retornar de forma pontual, o calor continua sendo um dos principais destaques para o Centro-Oeste e outras áreas produtoras.

Nesta segunda-feira, as temperaturas podem chegar a 38°C ou 39°C em capitais como Cuiabá, Palmas e Teresina. No interior do Centro-Oeste e do Matopiba, os termômetros também podem alcançar marcas elevadas.

O Inmet mantém atenção para baixos índices de umidade em áreas do interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Matopiba e partes da Região Norte.

Para o produtor, a combinação de calor e baixa umidade aumenta a demanda por água das plantas e também mantém condições favoráveis à ocorrência e propagação de queimadas.

Por outro lado, a chegada de períodos de chuva pode ajudar a melhorar gradualmente a umidade do solo e as condições ambientais. Segundo Patrícia, a chuva também pode contribuir para reduzir a ocorrência de queimadas e melhorar a qualidade do ar.
 

Por: Andréia Marques
Fonte: Notícias Agrícolas

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