El Niño ganha força e tem 75% de chance de atingir intensidade histórica em 2026
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 75% a probabilidade de o El Niño atingir uma intensidade histórica entre outubro e dezembro de 2026, o que colocaria o atual episódio entre os mais fortes desde o início dos registros, em 1950. A agência também aponta mais de 90% de chance de o fenômeno ser classificado como muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.
No Brasil, a evolução do El Niño coloca o comportamento das chuvas e das temperaturas no radar do setor agropecuário, principalmente diante da possibilidade de mudanças no padrão climático durante o período de primavera e verão.
A NOAA, no entanto, faz uma ressalva importante: um El Niño mais intenso aumenta a probabilidade de determinados impactos, mas não significa que todos os eventos extremos registrados serão provocados pelo fenômeno.
De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus Consultoria,, mesmo durante episódios muito fortes de El Niño, outros fatores atmosféricos e oceânicos podem modificar ou até neutralizar temporariamente os efeitos esperados do fenômeno.
O meteorologista cita como exemplo o El Niño de 2015/2016, considerado um dos mais fortes das últimas décadas. Apesar da característica de aquecimento do Pacífico, houve períodos de chuva intensa no Nordeste, mostrando que a atuação de outros sistemas pode alterar o padrão esperado.
“Quando a gente olha o El Niño de 2015 e 2016, que foi o El Niño mais forte dos últimos anos, teve momentos que choveu muito no Nordeste, em 2016, por exemplo.”
Para Alexandre, a análise precisa considerar o conjunto de condições atmosféricas que está atuando em cada momento.
Por isso, uma chuva intensa, uma onda de calor ou outro evento extremo não pode ser automaticamente atribuído ao fenômeno.
Mudanças climáticas também entram na equação
Outro fator que precisa ser considerado é o aquecimento global e sua influência sobre a ocorrência e a intensidade dos extremos meteorológicos.
Alexandre lembra que eventos extremos já vêm sendo observados mesmo antes do atual El Niño se consolidar.
Segundo o meteorologista, ondas de calor severas foram registradas em diferentes partes do mundo nos últimos meses, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, antes mesmo de o atual episódio de El Niño atingir sua atual intensidade.
Nesse cenário, o fenômeno passa a ser mais um componente capaz de influenciar uma atmosfera que já apresenta condições favoráveis à ocorrência de extremos.
“Mudanças climáticas também potencializando os eventos extremos, e o El Niño é mais um evento que termina sendo potencializado.”